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O plano de Yi Sun-sin: não impedir a passagem em mar aberto, e sim obrigar a frota japonesa a entrar num canal de maré onde o tamanho dela deixaria de valer.
O plano japonês: atravessar Myeongnyang depressa com a corrente favorável, varrer o punhado de navios coreanos no caminho e liberar a rota de abastecimento para o norte.
A decisão que mudou a conta: transformar largura de canal em número de proas simultâneas, e horário de maré em janela de contra-ataque.
O primeiro passo foi escolher o lugar. Yi transferiu a base para Jindo e posicionou os treze navios na saída norte do canal, o lado por onde o inimigo teria de emergir depois de vencer o trecho mais apertado.
O segundo foi escolher a hora. A frota coreana ocupou a posição enquanto a corrente ainda corria para dentro, de modo que o avanço japonês fosse rápido na entrada e caro na saída.
O terceiro foi usar o fundo chato. O panokseon girava quase parado e conseguia manter a proa apontada para a corrente, mudando de bordo para atirar sem sair do lugar, algo que a formação atacante não podia imitar em fila apertada.
O quarto foi negar a abordagem. Mantendo distância e trabalhando com artilharia embarcada, os coreanos tiravam do combate exatamente a fase em que a superioridade numérica japonesa se converteria em homens no convés.
O quinto foi segurar o centro. Com a linha própria hesitante, o navio-capitânia avançou sozinho e sustentou o meio da passagem por horas, o que impediu a frota atacante de se espalhar enquanto o resto da linha coreana se aproximava.
O sexto foi a virada da água. No meio da tarde, a corrente inverteu e passou a correr contra os atacantes, que estavam amontoados no trecho estreito e sem espaço para dar meia-volta em ordem.
O sétimo foi o contra-ataque. Com a maré a favor, os navios coreanos desceram sobre a formação congestionada, atirando à queima-roupa contra cascos que se chocavam entre si e não conseguiam manobrar.
O oitavo foi o efeito cascata. Embarcação avariada no meio do canal virava obstáculo, e cada obstáculo aumentava o congestionamento das que vinham atrás, que ainda entravam empurradas pelo próprio comboio.
As crônicas registram a captura da capitânia de Kurushima Michifusa e o naufrágio ou avaria de dezenas de navios japoneses ao longo do dia. Os treze navios coreanos terminaram o combate flutuando.
A frota japonesa recuou para o sul e desistiu da rota marítima do litoral oeste naquela campanha. Sem abastecimento por mar, o avanço em terra perdeu ritmo e começou a se retrair semanas depois.
O que decidiu Myeongnyang não foi o número de navios nem a qualidade do casco. Foi a escolha de um lugar onde a frota grande só conseguia mostrar a mesma frente que a frota pequena.
O detalhe que arruína a leitura fácil é que a corrente servia aos dois lados. Ela empurrou o atacante para dentro com facilidade e só virou adversária dele porque alguém tinha calculado, com antecedência, quanto tempo seria preciso segurar a passagem.
A régua serve fora de Jindo. Quando a diferença de tamanho é grande demais para ser compensada, o trabalho não é ficar mais forte, é reduzir a largura do campo até que o mais forte só possa usar uma parte do que tem.
"Você está tentando crescer até empatar, ou estreitando o canal onde a briga acontece?"
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