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Soubise viu as tendas prussianas caírem

Em 1757, na Saxônia, os aliados apressaram a marcha para cortar a retirada de Frederico II, sem ver a cavalaria parada atrás de um morro.

Mapa de mesa da batalha de Rossbach, Saxônia, 1757, com peças de madeira e a seta da carga de cavalaria

Rossbach, Saxônia, 1757

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Um homem em cada três. Era a parte prussiana dos cerca de 63 mil soldados reunidos numa planície da Saxônia na tarde de 5 de novembro, em 1757, entre as aldeias de Rossbach e Reichardtswerben. Com dois homens para cada homem de Frederico II, os generais aliados temiam uma hipótese só: o rei da Prússia escapar antes de lutar.

O acampamento prussiano ocupava a linha entre Rossbach e Bedra, com as barracas de lona voltadas para oeste. Do outro lado, entre Mücheln e Branderoda, acampavam os aliados: um exército francês e a Reichsarmee (o exército do Sacro Império Romano-Germânico, formado com tropas dos principados alemães).

No telhado da casa senhorial da família Goldacker, em Rossbach, o capitão Friedrich Wilhelm von Gaudi vigiava o campo aliado. Perto do meio-dia, Frederico desceu para almoçar com os oficiais e deixou o capitão no posto.

Duas horas depois, chegou o aviso do telhado: as colunas aliadas tinham dobrado para leste na altura de Zeuchfeld e vinham contornando o flanco sul do acampamento. Às duas e meia, o rei já tinha entendido o desenho. Os aliados queriam se pôr atrás dele, entre o exército prussiano e as pontes do rio Saale, o caminho de volta para casa.

Às três, o acampamento já não existia. Em meia hora, as barracas desceram, a lona foi dobrada, os cavalos foram arreados, e os batalhões (unidades de infantaria de seiscentos e poucos homens) marcharam para leste, escondidos atrás de uma linha de morros baixos.

Do lado aliado, quem olhava viu o acampamento se desfazer e tirou a conclusão mais cômoda: Frederico recuava. Os generais apressaram a marcha para chegar antes dele às estradas do leste e mandaram a cavalaria na frente, puxando esquadrões (unidades de pouco mais de cem cavaleiros) dos flancos e da retaguarda. As colunas de infantaria esticaram e perderam a forma.

Aqui embaixo, o ano em que a Prússia tinha cinco exércitos à porta, os homens que comandaram os dois lados e o desenho de uma tarde decidida em menos de 90 minutos.

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I  A batalha de hoje

Um rei cercado por cinco exércitos

A Batalha de Rossbach opôs o exército da Prússia, comandado pelo rei Frederico II, a uma força francesa sob Charles de Rohan, príncipe de Soubise, e à Reichsarmee sob José Maria Frederico Guilherme, príncipe de Saxe-Hildburghausen. Aconteceu em 5 de novembro, em 1757, no eleitorado da Saxônia (o estado cujo príncipe votava na escolha do imperador), hoje parte do município de Braunsbedra, no estado alemão da Saxônia-Anhalt, e terminou com vitória prussiana.

Em Rossbach, o exército menor desmanchou o maior em menos de 90 minutos, quase sem usar a própria infantaria.

A ficha da batalha:

Data:5 de novembro, 1757
Local:Rossbach, Saxônia
Prussianos:Frederico II
Aliados:Soubise e Hildburghausen
Força prussiana:cerca de 22 mil homens
Força aliada:cerca de 41 mil homens
Duração:menos de 90 minutos
Desfecho:vitória prussiana

A guerra tinha começado em 1756. França e Áustria, rivais havia mais de dois séculos, fecharam uma aliança, e Frederico invadiu a Saxônia antes de ser atacado. A Rússia e a Suécia entraram do lado austríaco, e a Dieta (a assembleia dos estados do Império) declarou guerra à Prússia. Com Frederico ficaram só a Grã-Bretanha e o eleitorado de Hanôver, governados pelo mesmo rei, Jorge II.

O ano de 1757 começou mal e piorou. Em 18 de junho, em Kolín, na Boêmia, o marechal austríaco Leopold von Daun derrotou Frederico, e o rei teve de largar o cerco de Praga. Em julho, os franceses venceram o exército de Hanôver em Hastenbeck. Em 30 de agosto, os russos bateram um exército prussiano em Gross-Jägersdorf, na Prússia Oriental.

Em setembro, o duque de Cumberland, filho de Jorge II, assinou em Klosterzeven a convenção que tirava o exército hanoveriano da guerra e deixava o oeste aberto aos franceses. Em outubro, o general austríaco András Hadik ocupou Berlim por um dia com alguns milhares de cavaleiros e partiu levando um resgate pago pela cidade.

Frederico tinha inimigos em quatro direções e homens para uma frente só. Precisava vencer rápido a oeste para voltar à Silésia, onde os austríacos avançavam.

Depois de Rossbach, marchou para leste, cobriu cerca de 274 quilômetros em 12 ou 13 dias e, em 5 de dezembro, um mês exato depois, venceu em Leuthen, na Silésia, um exército austríaco com perto do dobro dos homens dele.

Em Paris, o gosto pela guerra na Alemanha esfriou. Pelo terceiro Tratado de Versalhes, negociado entre 1758 e 1759, a França cortou o dinheiro e as tropas que mandava à Áustria.

Quase meio século depois, em 18 de outubro, em 1806, quatro dias depois de vencer os prussianos em Jena, Napoleão mandou soldados franceses derrubarem a coluna que marcava o campo de Rossbach.

 
 

II  Quem estava em campo

Dois príncipes de corte e um cavaleiro de moinho

Em Rossbach, dois príncipes escolhidos pela corte enfrentaram um rei que comandava em pessoa e um general de cavalaria de 36 anos.

O rei

Frederico II nasceu em 24 de janeiro, em 1712, em Berlim, e subiu ao trono da Prússia em 1740. Naquele mesmo ano, invadiu a Silésia austríaca e abriu a primeira de três guerras com Viena pela província.

Tocava flauta, escrevia em francês e mandou erguer o palácio de Sanssouci, em Potsdam. Em Rossbach, aos 45 anos, comandou em pessoa e mudou o plano do dia em meia hora, olhando do telhado da casa dos Goldacker.

Morreu em 17 de agosto, em 1786, em Sanssouci, sem filhos.

O príncipe francês

Charles de Rohan, príncipe de Soubise, nasceu em 16 de julho, em 1715, no palácio de Versalhes, e cresceu na corte como companheiro de Luís XV. Chegou ao comando de um corpo de 24 mil homens com a ajuda de Madame de Pompadour, a favorita do rei.

Depois de Rossbach, circulou em Paris uma cantiga anônima em que Soubise, de lanterna na mão, procura o próprio exército. A corte o manteve no comando: em 1758, depois de vencer em Lutterberg, ganhou o bastão de marechal da França. Morreu em Paris, em 1787, no palácio da família, o Hôtel de Soubise.

O marechal do Império

José Maria Frederico Guilherme, príncipe de Saxe-Hildburghausen, nasceu em 5 de outubro, em 1702, em Hildburghausen, na Turíngia. Marechal de campo austríaco, enriqueceu ao casar, em 1738, com a herdeira da fortuna do príncipe Eugênio de Saboia.

Em Rossbach, aos 55 anos, dividia o comando com Soubise. Envergonhado com a derrota, abriu mão das funções militares. Morreu em Hildburghausen, em 1787, seis meses antes de Soubise.

O cavaleiro

Friedrich Wilhelm von Seydlitz nasceu em 3 de fevereiro, em 1721, em Kalkar, no ducado de Cleves. Pajem do margrave (título equivalente a marquês) de Brandemburgo-Schwedt, ganhou fama de cavaleiro sem medo: a história mais contada diz que passou a galope entre as pás de um moinho girando.

Foi promovido a coronel em 1755 e a major-general em 20 de junho, em 1757, dois dias depois de Kolín. Na noite de Rossbach, Frederico o fez tenente-general e lhe deu a Ordem da Águia Negra, a mais alta da Prússia.

Ferido no combate, ficou quatro meses fora de ação. Morreu em 8 de novembro, em 1773, em Ohlau, na Silésia, e ganhou uma estátua de bronze na Wilhelmplatz (praça Guilherme), em Berlim.

Os outros nomes

Claude Louis, conde de Saint-Germain, comandava o posto avançado aliado no morro de Schortau, de onde se via o acampamento prussiano. Depois da batalha, reclamou que liderava ladrões e covardes que fugiam ao primeiro tiro.

Do lado prussiano, o coronel Karl Friedrich von Moller comandava a artilharia, e o príncipe Henrique da Prússia, irmão do rei, de 31 anos, comandava a infantaria e saiu ferido.

 

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III  O plano

Um cachimbo jogado para o alto

O plano aliado: contornar o flanco sul de Frederico passando por Zeuchfeld, formar de frente para o norte entre Reichardtswerben e Pettstädt e fechar o caminho prussiano para as pontes do Saale.

O plano prussiano: esconder o exército atrás dos morros de Janus e de Pölzen e bater na coluna aliada antes de ela se abrir em linha.

A aposta prussiana: em marcha, uma coluna só atira com as primeiras fileiras; quem a pegasse antes de formar enfrentava só a ponta dela.

A ideia aliada saiu do oficial francês Pierre-Joseph de Bourcet: uma marcha de flanco (contornar o lado do inimigo para atacá-lo por trás). Soubise e Hildburghausen a aceitaram sem mandar ninguém reconhecer o terreno.

O plano de Frederico seguiu três passos:

1. Deixar sete esquadrões em Rossbach para segurar o posto avançado de Saint-Germain.

2. Pôr os 18 canhões de Moller na contraencosta (a face do morro voltada para longe do inimigo) do morro de Janus.

3. Esconder Seydlitz com 38 esquadrões atrás do morro de Pölzen, à espera da cabeça da coluna.

Às 15h15, os canhões de Moller abriram fogo. Os generais aliados leram os tiros como cobertura de uma retirada e seguiram a marcha.

Às 15h30, Seydlitz jogou o cachimbo para o alto, e os primeiros 20 esquadrões passaram a crista do Pölzen a galope. Os couraceiros (cavaleiros com placa de ferro no peito) na frente da coluna aliada tentaram se abrir em linha e não tiveram tempo. Os outros 18 esquadrões, guardados junto ao morro de Janus, entraram numa segunda carga.

Seydlitz levou um ferimento no corpo a corpo, recolheu os cavaleiros num bosque entre Reichardtswerben e Obschütz e os pôs de novo em forma.

Enquanto a cavalaria se refazia, a infantaria do príncipe Henrique avançou e disparou salvas (tiros de uma fileira inteira ao mesmo tempo) contra as colunas aliadas. A infantaria francesa vinha em colunas fundas, armada para uma carga de baioneta, sem linha aberta para responder ao fogo.

A troca de tiros durou cerca de 15 minutos. Dos 27 batalhões de Frederico, só sete chegaram a atirar, de cinco a quinze disparos por soldado.

Então Seydlitz voltou com os 38 esquadrões juntos e caiu no flanco e na retaguarda aliados. Três regimentos da Francônia (região do sul da Alemanha que mandava tropas à Reichsarmee) largaram os mosquetes e correram, e os franceses foram atrás.

A cavalaria prussiana perseguiu os fugitivos até escurecer. Do primeiro tiro de Moller à debandada, a batalha durou menos de 90 minutos.

O historiador britânico Tim Blanning, numa biografia de Frederico publicada em 2016, lista o que ficou no campo: 72 canhões, sete bandeiras de infantaria, 21 estandartes (as bandeiras da cavalaria), oito generais franceses e 260 oficiais presos.

O estatístico austríaco Gaston Bodart, num dicionário de guerras publicado em 1908, contou do lado aliado cerca de 1.000 mortos, 3.500 feridos e 5.000 presos ou desaparecidos.

Do lado prussiano, 169.

 
 
 

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Quantos dias depois de vencer os prussianos em Jena, em 1806, Napoleão mandou derrubar o monumento que marcava o campo de Rossbach?

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