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Os troncos que desceram sobre a coluna de Leopoldo
Em novembro de 1315, os confederados esperaram no alto do Morgarten e prenderam a cavalaria austríaca entre a encosta e o lago.
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Troncos sobre a coluna, Morgarten, 1315
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Uma estrada em 3. Era a chance que os homens de Schwyz tinham de acertar por onde o duque Leopoldo da Áustria entraria no vale em novembro de 1315, e eles apostaram quase tudo numa só: a trilha estreita que corre entre o lago Ägeri e a encosta do Morgarten.
As outras duas entradas existiam. Uma passava por Arth, na beira do lago de Zug, onde Schwyz tinha levantado um muro de pedra e madeira. A terceira era a água, com barcos pelo lago dos Quatro Cantões até o porto de Brunnen.
Os confederados eram camponeses e pastores de 3 vales, Schwyz, Uri e Unterwalden, unidos por um juramento de ajuda mútua contra quem quisesse mandar neles de fora. Somavam cerca de 1.500 homens. Não tinham gente para guardar com força os 3 caminhos ao mesmo tempo.
Leopoldo trazia cavaleiros com armadura, a nobreza da Suábia e da Argóvia (região do norte da atual Suíça) e a confiança de quem nunca tinha perdido para lavrador. Saiu de Zug na madrugada de 15 de novembro, véspera do dia de São Otmar, com a cavalaria à frente da coluna e a infantaria atrás.
A trilha contornava o lago pela margem leste. Num trecho, a água encostava no pé de um morro íngreme, e o caminho só dava passagem a poucos cavalos lado a lado. Quem entrava ali não tinha como abrir a formação nem girar a montaria.
No alto, escondidos entre as árvores, os confederados tinham juntado troncos cortados e pedras soltas. Esperaram a coluna se esticar inteira pela margem antes de soltar a primeira carga morro abaixo.
A aposta tinha um custo claro para eles. Se o duque escolhesse Arth ou os barcos, os homens do Morgarten estariam longe, e Schwyz ficaria aberta. Leopoldo escolheu a margem do lago.
Abaixo, a batalha em ficha, os homens que a fizeram e o desenho que transformou uma trilha de margem em armadilha.
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I A batalha de hoje
Uma manhã de novembro no lago Ägeri
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A Batalha de Morgarten foi travada em 15 de novembro de 1315 na margem do lago Ägeri, no limite entre os atuais cantões suíços de Zug e Schwyz. Opôs o exército do duque Leopoldo I da Áustria, da casa de Habsburgo, às milícias dos 3 vales confederados: Schwyz, Uri e Unterwalden.
Em Morgarten, uma coluna de cavaleiros com armadura foi parada por pedra, madeira e alabarda numa trilha onde não conseguia nem dar a volta.
A ficha do confronto:
| Data: | 15 de novembro de 1315, véspera de São Otmar | | Local: | passagem do Morgarten, entre o lago Ägeri e a encosta, na fronteira de Zug com Schwyz |
Comando austríaco: duque Leopoldo I da Áustria
| Comando confederado: | nenhum chefe registrado pela crônica da época | | Efetivos: | cerca de 1.500 confederados; a coluna austríaca não tem contagem segura nas fontes | | Fontes: | Crônica (Chronica, em latim), do frade franciscano João de Winterthur, escrita por volta de 1340 |
A guerra nasceu de uma briga de pasto. Desde o começo do século XII, os camponeses de Schwyz e a abadia de Einsiedeln, mosteiro beneditino a poucos quilômetros dali, disputavam os mesmos pastos de montanha. Os Habsburgo eram os protetores legais da abadia e tomavam o lado dos monges.
Na noite de Reis de 1314, em janeiro, homens de Schwyz invadiram Einsiedeln, saquearam a igreja, beberam o vinho do mosteiro e levaram vários monges presos para o vale. O bispo de Constança respondeu com a excomunhão dos invasores.
No mesmo ano, a coroa do Sacro Império Romano-Germânico ficou com 2 pretendentes. Parte dos príncipes eleitores votou em Frederico, o Belo, irmão de Leopoldo; a outra parte votou em Luís da Baviera. Os 3 vales ficaram com Luís, e Frederico os pôs sob proscrição imperial (a pena que tirava deles a proteção da lei do Império).
Leopoldo, que administrava as terras da família na região, montou a expedição para castigar Schwyz e devolver os vales à obediência. O plano tinha um segundo braço: o conde Otto de Strassberg cruzaria o passo do Brünig com outra tropa e entraria em Unterwalden pelo sul.
A luta na margem durou pouco. Os cavaleiros que resistiram aos troncos foram atacados por homens a pé armados de alabardas (lança com lâmina de machado na ponta) e empurrados para dentro do lago, onde o peso da armadura os afundou.
Leopoldo escapou com parte da retaguarda e voltou para Winterthur. Otto de Strassberg, ao saber da derrota, recuou de Unterwalden sem combater.
Em 9 de dezembro de 1315, os 3 vales renovaram a aliança em Brunnen, num pacto escrito em alemão. O texto proibia cada vale de aceitar senhor ou fazer acordo com estrangeiros sem o consentimento dos outros dois.
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II Quem estava em campo
Um duque de 25 anos contra 3 vales de pastores
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Morgarten opôs um duque criado para a guerra a cavalo a homens que conheciam cada pedra da trilha e não tinham cavalo nenhum para perder.
Leopoldo I da Áustria nasceu em 1290, filho do rei Alberto I de Habsburgo. O pai foi assassinado em 1308 pelo próprio sobrinho, João, perto do rio Reuss, numa disputa por herança.
O duque que comandava pela família
Em 1315, Leopoldo tinha 25 anos e governava as terras dos Habsburgo da Suábia e da Alsácia, enquanto Frederico, o irmão mais velho, brigava pela coroa. Tratava a campanha contra Schwyz como castigo a súditos rebeldes, sem esperar um exército organizado pela frente.
Depois de Morgarten, seguiu lutando pelo irmão. Em 1322, Frederico foi derrotado e preso por Luís da Baviera em Mühldorf. Leopoldo manteve a guerra sozinho até 1326, quando adoeceu e faleceu em Estrasburgo, aos 35 anos.
Os pastores dos 3 vales
Schwyz, Uri e Unterwalden ficavam em volta do lago dos Quatro Cantões, no centro da atual Suíça. Eram comunidades de criadores de gado, governadas por assembleias de homens livres que elegiam um landamano (o chefe da comunidade do vale).
Em 1231, Uri recebeu um privilégio que a ligava direto ao imperador, sem senhor no meio; Schwyz ganhou um documento parecido em 1240, assinado pelo imperador Frederico II. Os Habsburgo não reconheciam esses papéis e queriam os vales sob a sua administração.
Em agosto de 1291, os 3 vales juraram ajuda mútua num documento em latim que hoje está no Museu das Cartas Federais, em Schwyz. A Suíça conta a própria fundação a partir dele.
O menino que viu a volta
João de Winterthur, frade franciscano nascido por volta de 1300, era estudante em Winterthur em 1315. Ele conta que saiu à porta da cidade com o pai e outros meninos e viu Leopoldo chegar do campo meio morto de tristeza.
A crônica dele, escrita cerca de 25 anos após a batalha, é a fonte mais antiga com detalhes do combate. Ela não traz a identidade de nenhum chefe confederado, e por esse silêncio a ficha acima fica sem comandante desse lado.
A flecha da lenda
Uma história contada séculos depois diz que Henrique de Hünenberg, nobre que servia aos austríacos, avisou os confederados atirando uma flecha com um bilhete: cuidado com o Morgarten na véspera de São Otmar. O relato aparece em crônicas suíças do século XVI, como a de Aegidius Tschudi, e em nenhuma fonte de 1315. Os historiadores a tratam como lenda.
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