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O plano egípcio: subir o Levante com quatro divisões, ocupar a planície diante de Kadesh antes do inimigo, cercar a cidade com o exército reunido e forçar a rendição ou a batalha campal com toda a força concentrada.
O plano hitita: esconder o exército atrás do morro da cidade, deixar o faraó acampar dividido e atacar com a massa de carros exatamente na hora em que as divisões egípcias estivessem mais afastadas umas das outras.
A decisão que mudou a conta: mandar dois homens se entregarem de propósito à vanguarda egípcia com a versão de que o rei hitita havia fugido para Alepo, comprando o avanço apressado que o resto da manobra exigia.
O primeiro passo foi escolher os mensageiros. Dois beduínos shasu, gente que os egípcios estavam habituados a interrogar como pastores locais sem lealdade fixa, tinham a aparência exata de informante neutro e não levantavam a suspeita que um prisioneiro hitita levantaria.
O segundo foi calibrar a mentira. Alepo ficava a mais de duzentos quilômetros ao norte, distância que garantia semanas de folga ao exército egípcio, e a história do rei acovardado combinava com o que a corte do faraó já esperava ouvir.
O terceiro foi esconder a força inteira. O exército hitita ficou do lado leste do Orontes, com o morro e as muralhas de Kadesh entre ele e a planície, invisível para quem chegasse pelo sul e não mandasse batedor contornar a cidade.
O quarto foi esperar a coluna se esticar. Cada divisão egípcia acampava sozinha ao fim do dia, e o intervalo entre Amon, já instalada, e Sutekh, ainda longe ao sul, chegou a corresponder a mais de um dia de marcha.
O quinto foi atacar o meio da fila. A carga hitita não foi contra o acampamento fortificado, foi contra a divisão de Rá em coluna aberta, sem formação e sem escudo montado, o alvo mais frágil de todo o dispositivo egípcio.
O sexto passo era tomar o acampamento, e falhou. Os carros hititas entraram, encontraram carga, gado e tenda real e pararam para saquear, dando ao faraó o intervalo necessário para reunir a guarda e contra-atacar em pequenos grupos.
O sétimo elemento não estava no cálculo hitita. Uma coluna egípcia de elite chamada nearin (os jovens), destacada semanas antes pela rota costeira vindo de Amurru, apareceu no flanco no fim da tarde e transformou o saque em armadilha.
O desfecho ficou empatado no terreno. Ramsés II manteve o campo, cobriu as paredes de Abu Simbel, Karnak e do Ramesseum com relevos de vitória, e voltou para o Egito sem tomar a cidade, que continuou sob controle hitita por gerações.
Um ponto segue em aberto: como os hititas contaram a própria batalha. Todo relato detalhado do combate vem de textos egípcios encomendados pelo vencedor declarado, e os arquivos de Hattusa preservaram menções ao episódio sem uma narrativa comparável.
O que sobrou dos dois lados foi um acordo. Cerca de quinze anos depois, Ramsés II e o rei hitita Hattusili III assinaram um tratado de paz cujo texto sobreviveu em duas versões, uma em hieróglifo no Egito e uma em tábua de argila em Hattusa.
Uma informação que confirma exatamente o que o comando já queria acreditar é a mais barata de plantar e a mais cara de conferir tarde demais.
"Qual informação recente você aceitou sem checar por outra fonte, só porque ela combinava com o plano que você já tinha traçado?"
Kadesh continuou hitita.
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