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Os 4 dias de Lisandro diante da frota de Atenas

Em 405 a.C., o espartano esperou os remadores atenienses saírem atrás de comida e tomou quase todos os navios na praia.

Trirremes espartanas cruzam o Helesponto rumo à praia de Egospótamos

Egospótamos, Helesponto, 405 a.C.

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Uma em 20. Era a chance de uma trirreme (navio de guerra com três fileiras de remadores) ateniense sair inteira do Helesponto no verão de 405 a.C., pela conta de Xenofonte: de 180 navios, escaparam nove.

Os outros ficaram na areia de Egospótamos, vazios, com as cordas soltas na praia. Lisandro, o comandante espartano, recolheu quase todos sem precisar afundá-los.

A frota de Atenas tinha chegado ali atrás dele. Lisandro acabara de tomar Lâmpsaco, cidade aliada de Atenas na margem asiática do estreito, e os atenienses vieram ancorar bem em frente, do outro lado da água.

Egospótamos significa “rios da cabra”. Era um trecho de areia com dois riachos, sem porto, sem muralha e sem mercado. Para comer, os remadores tinham de andar até Sesto, a cidade mais próxima, ou se espalhar pelos campos atrás da praia.

Uma trirreme levava perto de 200 homens, quase todos remadores. Em 180 navios, eram dezenas de milhares de bocas para alimentar todos os dias, longe de qualquer celeiro.

Na primeira manhã, os atenienses formaram em linha e remaram até a entrada do porto de Lâmpsaco. Ofereceram batalha. Lisandro não saiu.

À tarde, voltaram para a praia. Atrás deles, alguns barcos rápidos espartanos seguiam a distância e observavam o desembarque.

No segundo dia, a cena se repetiu. No terceiro e no quarto também.

A cada volta, os atenienses desciam mais depressa e se afastavam mais dos navios. Os barcos de vigia viam tudo e voltavam com o relato.

Um homem desceu a cavalo das colinas e avisou os generais atenienses de que aquela praia ia custar caro. Foi mandado embora.

No quinto dia, quando os vigias deram o sinal, Lisandro mandou remar com toda a força através do estreito.

A seguir, a tarde em que Atenas perdeu o mar, os homens dos dois lados da água e o plano de esperar quatro dias para lutar um.

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I  A batalha de hoje

A tarde em que Atenas perdeu o mar

A batalha de Egospótamos foi travada no final do verão de 405 a.C., no Helesponto, o estreito hoje chamado de Dardanelos, na Turquia. De um lado, a frota de Atenas. Do outro, a frota de Esparta e dos aliados do Peloponeso, comandada por Lisandro.

Em Egospótamos, Atenas perdeu a guerra do Peloponeso numa só tarde, e quase sem combate no mar.

A ficha do confronto:

Data:verão de 405 a.C.
Local:Egospótamos, Helesponto
Lado ateniense:Conon e Filocles
Lado espartano:Lisandro
Arma do dia:a espera
Desfecho:vitória espartana

A guerra entre Atenas e Esparta já durava 26 anos. Atenas vivia do trigo do mar Negro, que descia pelo Helesponto em navios de carga. Quem fechasse o estreito deixava a cidade sem pão.

Lisandro sabia disso. Em 405 a.C., levou a frota para o norte, entrou no Helesponto e tomou Lâmpsaco de assalto.

Os atenienses estavam em Samos, do outro lado do mar Egeu. Correram para o norte com 180 trirremes, número registrado por Xenofonte nas Helênicas, e pararam em Egospótamos, na margem europeia, diante da cidade perdida.

Ali o estreito tinha poucos quilômetros de largura. Os dois acampamentos se viam.

Do lado asiático, Lisandro tinha uma cidade inteira às costas, com depósitos, água e mercado. Do lado europeu, os atenienses tinham a areia.

Durante quatro dias, a rotina não mudou. Os atenienses saíam em linha de batalha, esperavam diante de Lâmpsaco e voltavam. Lisandro mantinha os homens nos navios, armados, sem deixar ninguém desembarcar.

No quinto dia, os atenienses voltaram à praia como de costume e se espalharam atrás de comida. Os barcos de vigia espartanos, a meio caminho, ergueram um escudo de bronze, o sinal combinado, segundo Plutarco na Vida de Lisandro.

A frota espartana atravessou o estreito a remo forçado. Chegou à praia antes que a maior parte das tripulações atenienses conseguisse voltar.

Muitas trirremes foram tomadas vazias. Outras tinham só uma fileira de remadores a bordo e não conseguiram sair da areia.

Conon, um dos generais atenienses, foi o único a reagir a tempo. Juntou oito navios e escapou pelo estreito.

Antes de partir, mandou o Páralo, o navio oficial de mensagens de Atenas, levar a notícia para casa.

Lisandro desembarcou soldados e cercou os homens que corriam pela praia. Capturou milhares. Plutarco, na mesma Vida de Lisandro, fala em 3.000 atenienses executados depois da batalha.

O Páralo chegou ao Pireu, o porto de Atenas, à noite. A notícia subiu pelas muralhas longas até a cidade, de boca em boca.

“Naquela noite ninguém dormiu”, escreveu Xenofonte nas Helênicas, obra do século IV a.C., ao contar a chegada do navio.

 
 

II  Quem estava em campo

Os generais que mandaram o aviso embora

Em Egospótamos, seis generais dividiam o comando de Atenas, e nenhum deles mandava sozinho.

O espartano

Lisandro vinha de família pobre de Esparta, sem sangue real. Fez carreira na frota, algo raro numa cidade que valorizava o soldado de terra.

Era também um político paciente. Nas cidades gregas da Ásia Menor, montou grupos de aliados fiéis a ele, e não só a Esparta.

A lei espartana proibia que o mesmo homem fosse navarco (comandante da frota) duas vezes. Em 405 a.C., Esparta nomeou um navarco de fachada, Araco, e deu a Lisandro o posto de segundo, com o comando real.

O príncipe

Ciro, o Jovem, filho do rei da Pérsia, governava a Ásia Menor. Odiava Atenas e gostava de Lisandro.

Para Ciro, ajudar Esparta servia para recuperar as cidades gregas da costa que um dia pagaram tributo à Pérsia.

Com a prata persa de Ciro, Lisandro subiu o salário dos remadores de três para quatro óbolos (moedas de prata) por dia. Muitos remadores trocaram a frota de Atenas pela de Esparta.

O general que escapou

Conon era o general mais experiente da frota ateniense. Em 406 a.C., tinha ficado cercado pelos espartanos no porto de Mitilene, na ilha de Lesbos, e sobrevivido.

Em Egospótamos, foi o único que manteve os próprios navios prontos para remar.

O general da mão cortada

Filocles tinha proposto em assembleia cortar a mão direita dos prisioneiros de guerra, para que não remassem nunca mais. Antes da batalha, mandou jogar ao mar as tripulações de duas trirremes capturadas.

Depois de Egospótamos, Lisandro perguntou a ele que pena merecia quem começara aquilo. Filocles não pediu clemência e foi executado.

O general poupado

Adimanto foi o único general ateniense capturado que Lisandro deixou ir embora. Tinha votado contra a proposta da mão cortada.

Em Atenas, muitos acharam que ele traiu a frota. Conon o acusou anos depois, e a suspeita nunca foi provada.

O visitante

Alcibíades, antigo general ateniense, vivia exilado num castelo na Trácia, perto da praia. Era ele o homem a cavalo.

Disse aos generais que Egospótamos não tinha porto nem cidade, e que a frota deveria ir para Sesto, onde haveria mercado e abrigo.

Tideu e Menandro, dois dos seis generais, mandaram que ele saísse.

“Agora somos nós os generais, não ele”, responderam, segundo Xenofonte nas Helênicas.

Alcibíades voltou para o castelo. Em menos de cinco dias, a praia que ele condenara ficou sem frota.

 

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III  O plano

Esperar quatro dias para lutar um

O plano ateniense: oferecer batalha toda manhã diante de Lâmpsaco, forçar Lisandro a sair ou voltar à praia e repetir.

O plano espartano: recusar a luta, manter as tripulações embarcadas e observar o que os atenienses faziam depois de voltar.

A troca de Lisandro: abrir mão da batalha no mar, onde Atenas tinha remadores mais treinados, e atacar na areia, onde os navios estavam sem gente.

A trirreme era rápida e frágil. Não tinha espaço para dormir nem para guardar comida. Toda noite, a tripulação desembarcava para comer, beber água e dormir em terra.

Os remadores eram homens livres e pobres de Atenas, além de estrangeiros pagos. Sem pão, não remavam; sem salário, mudavam de lado.

Uma frota a remo dependia da praia em que parava. Lâmpsaco era uma cidade, com mercado e cais. Egospótamos era areia.

Os atenienses tinham ficado ali para vigiar Lisandro de perto. Cada dia longe de Sesto era um dia a mais de remadores com fome.

O plano seguiu quatro passos:

1. Recusar a batalha todos os dias, com os homens embarcados e prontos.

2. Mandar barcos rápidos atrás da frota ateniense para ver como ela desembarcava.

3. Esperar a tarde em que os atenienses se espalhassem mais longe dos navios.

4. Atravessar no sinal, com a infantaria do espartano Tórax marchando pela costa, e tomar a praia.

O risco morava na espera. Se os atenienses mudassem para Sesto, como Alcibíades pedira, o plano desmoronava.

Lisandro também apostou no orgulho dos generais rivais. Cada recusa espartana parecia medo, e cada dia sem batalha deixava os atenienses mais confiantes.

Do lado ateniense, ninguém mudou a rotina em quatro dias. A frota voltava à mesma praia, no mesmo horário, e descia do mesmo jeito.

Depois de Egospótamos, Atenas não tinha mais frota. Lisandro fechou o Helesponto, e o trigo do mar Negro parou de chegar.

A cidade foi cercada por terra e por mar. Rendeu-se na primavera de 404 a.C., de fome.

Esparta exigiu que Atenas derrubasse as muralhas longas, que ligavam a cidade ao porto. Plutarco conta que os muros caíram ao som de flautas.

Lisandro voltou a Esparta com prata e prestígio. Caiu em combate em Haliarto, na Beócia, em 395 a.C.

Conon não navegou de volta para Atenas.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Para onde Conon levou as oito trirremes que escaparam de Egospótamos?

 
 
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Segundo Xenofonte, quantas trirremes atenienses saíram inteiras de Egospótamos, de um total de 180?

A180
B8
C9
D3

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