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O plano bizantino: usar o peso numérico e a infantaria pesada para empurrar o centro árabe, manter a cavalaria distribuída para apoiar cada ala e forçar a decisão no choque frontal.
O plano árabe: segurar o centro com a infantaria, absorver os dias de pressão sem quebrar e manter os esquadrões montados agrupados numa reserva móvel sob comando único.
A decisão que mudou a conta: recolher a cavalaria espalhada pelas alas, formar com ela um bloco único guardado atrás da linha e gastá-lo uma vez só, na hora e no ponto escolhidos por quem o comandava.
O primeiro passo foi juntar as colunas antes do combate. As forças que ocupavam Emesa e Damasco abandonaram as cidades tomadas e marcharam para a planície, aceitando devolver território em troca de lutar com um exército só em vez de três guarnições isoladas.
O segundo foi escolher o campo pela retaguarda de cada lado. Ocupar a borda leste da planície deixava o deserto às costas árabes como via de recuo segura e deixava as ravinas atrás dos bizantinos como obstáculo.
O terceiro foi organizar a reserva montada. Os esquadrões que cada comandante de ala mantinha para si foram retirados e reunidos num corpo único, com ordem expressa de não intervir por conta própria em aperto local.
O quarto foi aguentar o desgaste. Durante os primeiros dias, as alas árabes recuaram, voltaram à linha das tendas e retomaram posição sem que a reserva fosse acionada, o que custou terreno e reclamação dos subordinados.
O quinto foi usar a reserva contra a cavalaria adversária, não contra a infantaria. Com os esquadrões bizantinos ainda distribuídos ao longo da frente, o bloco árabe atacou um de cada vez, empurrando os cavaleiros imperiais para longe da própria infantaria.
O sexto foi separar as duas armas de forma permanente. Sem cavalaria própria por perto, a infantaria imperial ficou presa ao chão, incapaz de cobrir os flancos e de responder a qualquer movimento pela lateral.
O sétimo foi tomar a passagem sobre o Wadi Raqqad. Um destacamento contornou a frente durante a noite e ocupou o ponto de travessia perto de Ayn Dhakar, fechando a única saída praticável para oeste.
O oitavo foi o clima entrando a favor. Na manhã do último dia, vento carregado de areia soprou do sul contra a frente bizantina, prejudicando o tiro dos arqueiros e a leitura das ordens visuais ao longo da linha imperial.
Com o vento no rosto e a cavalaria já afastada, a linha bizantina foi empurrada para oeste e para o sul. Os contingentes ghassânidas se retiraram do campo, o centro perdeu a coesão e cada bloco passou a manobrar por conta própria, na direção das ravinas.
A saída pela travessia do Raqqad já estava fechada, e o restante do bordo oeste era queda direta. O que começou como recuo ordenado virou desmanche de um exército, e a força que Heráclio tinha reunido em Antioquia deixou de existir como unidade organizada.
Cavalaria guardada não vale pelo que faz no dia em que é usada: vale pelas semanas em que o comandante recusa gastá-la e mantém intacta a única peça capaz de escolher onde a batalha termina.
Nos meses seguintes, as cidades da Síria voltaram a abrir as portas, dessa vez sem exército imperial de campo para socorrê-las. Antioquia, Alepo e Jerusalém negociaram termos, e a fronteira do império recuou para os passos do Taurus.
"Qual é a peça que você gasta cedo demais em problema pequeno, e por isso nunca tem quando o problema grande chega?"
Heráclio nunca mais entrou na Síria.
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