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Alcácer-Quibir juntou 3 reis num campo só: um jovem que nunca tinha visto batalha, um sultão doente e um herdeiro sem trono.
Sebastião I nasceu em Lisboa em janeiro de 1554, 18 dias após a morte do pai, o príncipe João Manuel. Como chegou quando o reino temia ficar sem herdeiro, o povo o chamou de o Desejado. Era neto de João III e, pela mãe, Joana, neto também do imperador Carlos V.
O rei Desejado
Herdou a coroa aos 3 anos, com a morte do avô, João III. Cresceu sob a regência da avó, a rainha Catarina, e depois do tio-avô, o cardeal Henrique.
Foi educado por padres jesuítas e cresceu com a ideia de cruzada contra o islã no norte da África. Não se casou e não deixou filhos. Em 1574 fez uma primeira viagem ao Marrocos, a Tânger e Ceuta, e voltou convencido de que podia vencer ali.
Luís de Camões dedicou a ele o poema “Os Lusíadas”, publicado em 1572. Na estrofe 6 do Canto I, o rei aparece como “bem nascida segurança / da Lusitana antiga liberdade”.
O sultão doente
Abd al-Malik passou anos no exílio, em Argel e em Istambul, e lutou ao lado dos otomanos (o império turco) em Túnis, em 1574. Com apoio turco, tomou o trono marroquino do sobrinho em 1576.
Falava espanhol, conhecia as táticas europeias e tinha arcabuzeiros treinados à maneira turca. Na marcha até Alcácer-Quibir, já seguia de liteira, sem força para montar. Mesmo assim, recusou adiar o combate: sabia que o sobrinho ganharia apoio entre as tribos se a guerra se arrastasse.
A causa da doença é desconhecida. Os cronistas da época falam de febre e de suspeita de veneno, e nenhum registro médico sobreviveu para tirar a dúvida.
O herdeiro sem trono
Abu Abdallah Mohammed, filho do sultão anterior, governou o Marrocos de 1574 a 1576. Expulso pelo tio, foi pedir ajuda a Filipe II da Espanha, que recusou, e a Sebastião, que aceitou.
Em troca, prometeu a Portugal a cidade costeira de Larache, um porto que os portugueses queriam havia décadas para vigiar a rota do Atlântico.
O irmão que esperava
Ahmad, irmão mais novo de Abd al-Malik, comandava parte da tropa saadiana. Com o sultão morto, os oficiais o aclamaram ainda no campo.
Ganhou o apelido de al-Mansur, “o vitorioso”, e reinou até 1603. Com o ouro dos resgates, ficou conhecido também como al-Dhahabi, “o dourado”.
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