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O plano aliado: descer a maior parte do exército do platô, atravessar as lagoas ao sul e enrolar a ala direita francesa, cortando a estrada de Viena.
O plano francês: ceder as alturas, engordar a isca no sul, esperar o centro aliado esvaziar e subir o platô em duas divisões, partindo o exército adversário em dois.
A decisão que mudou a conta: trocar uma vantagem de terreno permanente por uma janela de tempo de poucas horas, e apostar que a janela bastaria.
O primeiro passo foi abandonar a altura. Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, as tropas francesas desocuparam o platô de Pratzen e recuaram para o terreno baixo a oeste do córrego Goldbach, à vista do inimigo.
O segundo foi afinar a direita de propósito. O flanco sul ficou com pouca tropa e a estrada de Viena logo atrás, desenhando a oportunidade que o plano aliado procurava.
O terceiro foi esconder a chegada de Davout. O corpo vindo de Viena marchou de noite e entrou em posição na madrugada, para que a ala fraca continuasse parecendo fraca até a hora de segurar o ataque.
O quarto foi encurtar a distância. As divisões de Soult ficaram ao pé da encosta oeste, na neblina, a menos de um quilômetro do alto, prontas para subir sem marcha de aproximação.
O quinto foi deixar o sul ferver. Davout resistiu em Telnitz e Sokolnitz, perdendo e retomando aldeias, sem contra-atacar, para consumir o máximo de colunas aliadas no menor espaço possível.
O sexto foi esperar o relógio, não o inimigo. Napoleão perguntou quanto tempo Soult levaria até o topo, ouviu que menos de vinte minutos, e adiou a ordem por mais um quarto de hora, para pegar a coluna aliada mais comprometida na descida.
O sétimo foi subir com o centro. Por volta das nove, as divisões de Saint-Hilaire e Vandamme atacaram o platô, saindo da neblina contra retaguardas e contra unidades que ainda marchavam para o sul.
O oitavo foi manter o alto. A Guarda russa contra-atacou e quase reverteu a posição, e a Guarda Imperial francesa entrou ali, transformando o platô num divisor entre as duas metades do exército aliado.
Com o centro tomado, a artilharia francesa passou a atirar de cima sobre as colunas do sul, presas entre as aldeias que atacavam, as lagoas e uma altura que trocara de dono no meio da manhã.
A retirada aliada se desfez ao longo da tarde, em parte pela linha de lagoas a sudeste, onde o gelo cedeu sob homens e peças. As perdas ali são um dos pontos mais inflados pelos boletins da época.
O que decidiu Austerlitz não foi a diferença de efetivos, e sim o intervalo em que o centro aliado esteve em marcha e não em posição.
O detalhe que arruína a leitura fácil é que a entrega do platô era irreversível. Se o comando aliado tivesse ficado quieto no alto por mais um dia, os franceses estariam em terreno baixo, com menos artilharia e com o inverno chegando.
A régua serve fora da Morávia. Vantagem de posição só vale enquanto ela é ocupada, e quem a abandona para perseguir uma oportunidade fácil devolve, de graça, o único terreno que o adversário não conseguia tomar.
"A altura que você ocupa hoje continua sua, ou você já está descendo dela atrás de uma fraqueza que alguém desenhou para você ver?"
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