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O plano imperial: furar a muralha do parque na madrugada, entrar com infantaria e artilharia leve pelo ponto mais afastado do acampamento francês, formar dentro do terreno antes do amanhecer e deixar que a cavalaria do rei viesse carregar contra arcabuz escondido no arvoredo.
O plano francês: manter o cerco de Pavia intacto, usar o parque murado como acampamento protegido e responder a qualquer entrada inimiga com a carga da cavalaria pesada, a arma que tinha decidido Marignano dez anos antes.
A decisão que mudou a conta: carregar cedo demais e pela frente da própria artilharia. Os canhões franceses já batiam nas colunas imperiais e calaram no instante em que o rei entrou no campo de tiro.
O primeiro passo foi o trabalho de picareta. Sapadores imperiais abriram brechas no muro do parque perto da Torre del Gallo durante a noite, sem o barulho de artilharia que denunciaria o ponto escolhido.
O segundo foi a ocupação do terreno. As colunas espanholas e alemãs passaram pelas brechas em fila, marcharam pelo interior do parque no escuro e tomaram posição em campo de arvoredo e vala, com artilharia leve junto, longe das trincheiras francesas.
O terceiro foi a carga francesa. Francisco I levou os gendarmes contra a infantaria imperial já formada, rompeu a primeira linha de cavalaria leve inimiga, avançou fundo no parque e perdeu ali o apoio dos canhões, da infantaria suíça e da retaguarda de Alençon, tudo ao mesmo tempo.
O quarto foi o tiro de perto. Os arcabuzeiros de Pescara atiraram do arvoredo contra cavaleiro parado ou em manobra curta, os lansquenês fecharam com pique pela frente e a cavalaria francesa ficou presa entre arma de fogo e ponta de ferro, num terreno onde nem recuar em ordem era possível.
O desfecho para o comando francês está documentado nome por nome. Guilherme Gouffier de Bonnivet, Jacques de La Palice e Luís II de la Trémoille ficaram no campo, junto com Ricardo de la Pole, pretendente inglês exilado a serviço da França; Ana de Montmorency e Henrique de Albret, rei de Navarra, saíram prisioneiros.
Francisco I foi tratado como prisioneiro de alto valor desde a primeira hora. Escreveu à mãe, Luísa de Saboia, regente do reino, seguiu sob guarda para Pizzighettone e depois para a Espanha, onde ficou preso em Madri por cerca de um ano.
A conta política foi cobrada em janeiro de 1526. Pelo Tratado de Madri, o rei renunciou a Milão, à Borgonha e às pretensões sobre Nápoles, e deixou os dois filhos mais velhos como reféns na Espanha para garantir a soltura.
O tratado não sobreviveu ao regresso. De volta à França, o rei declarou nula uma assinatura dada sob prisão, entrou na Liga de Cognac ainda em 1526, e a Borgonha nunca foi entregue.
O que não se sabe com precisão é a contagem de baixas daquela manhã. Os cronistas do século XVI dão cifras muito distantes entre si, sem registro administrativo que confirme nenhuma delas, e a historiografia moderna trata todas como estimativa de época.
Cavalaria pesada durou mais um século, e nunca mais decidiu sozinha uma batalha campal na Europa ocidental.
"Qual carga você está tocando na frente dos seus próprios canhões?"
Milão nunca mais foi francesa.
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