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O plano italiano: avançar 14 quilômetros na madrugada em três colunas paralelas, ocupar as alturas de Enda Chidane Meret, Rebbi Arienni e Semayata e esperar o ataque etíope em posição alta.
O plano etíope: manter o exército reunido nos vales atrás de Adua, deixar o adversário se estender no terreno quebrado e jogar massa sobre cada fração italiana assim que ela aparecesse isolada.
A decisão que mudou a conta: não disputar as alturas com a coluna inteira, e sim atacar cada brigada no momento em que ela ficou sem vizinho à vista, transformando um exército em três combates separados.
O primeiro passo foi a ordem de marcha. Baratieri mandou as brigadas partirem por volta das nove da noite de 29 de fevereiro, em três eixos paralelos, com a reserva atrás do centro, sem reconhecimento prévio das alturas de destino.
O segundo foi a carta errada. O levantamento italiano do Tigré era sumário, feito de longe, e colocava os acidentes principais fora do lugar por vários quilômetros, sem que ninguém no estado-maior soubesse a extensão do desvio.
O terceiro foi o nome repetido. Existiam dois montes chamados Enda Chidane Meret na região, e a brigada de Albertone, guiada por informantes locais, seguiu para o mais distante, avançando quilômetros além do ponto que Baratieri havia marcado.
O quarto foi a perda de contato. Por volta das quatro da manhã, o intervalo entre as colunas já era grande demais para apoio mútuo, o terreno cortava a comunicação e cada brigada passou a operar como se fosse um exército pequeno.
O quinto foi a informação etíope. Camponeses e batedores do Tigré levaram a Menelik, ainda de madrugada, a direção de cada coluna, enquanto o comando italiano seguia sem saber onde estavam as próprias brigadas.
O sexto foi bater a esquerda primeiro. As tropas de Ras Alula e Ras Mengesha caíram sobre Albertone logo cedo, envolveram a brigada pelos dois flancos e a desfizeram antes de qualquer reforço chegar.
O sétimo foi virar contra o centro. Com a esquerda desmontada, a massa etíope subiu contra Arimondi e Ellena nas alturas de Rebbi Arienni, atacando de frente e pelos flancos abertos que a ausência de Albertone tinha deixado.
O oitavo foi isolar Dabormida. A brigada da direita, presa no vale de Mariam Shavitu, combateu horas contra a cavalaria de Ras Mikael sem contato com o resto do exército, e foi cercada por completo no fim da manhã.
Por volta do meio-dia, Baratieri deu ordem de retirada geral. O que restava das brigadas desceu o planalto em desordem, perseguido pela cavalaria oromo.
O saldo italiano foi de cerca de 6.000 baixas fatais, 1.500 feridos e quase 3.000 prisioneiros, incluindo generais, e o corpo expedicionário deixou de existir como força organizada em um único dia.
O que decidiu Adua não foi a diferença de efetivos, e sim uma marcha noturna sobre uma carta errada, que entregou um exército de dezessete mil em três porções fáceis de engolir.
O detalhe que arruína a leitura fácil é que cada brigada italiana cumpriu a ordem que recebeu. Ninguém desobedeceu, ninguém fugiu no início, e as três se bateram com competência, cada uma no lugar errado.
A régua serve fora do Tigré. Plano que só funciona se todo mundo entender a mesma referência da mesma forma não é plano, é sorteio, e a conta chega no amanhecer.
"Todo mundo no seu time está olhando para o mesmo mapa, ou cada um está subindo o monte que acha que é o certo?"
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