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O plano Tang: avançar até o Talas antes que a força abássida se organizasse, forçar combate frontal em terreno aberto e usar a cavalaria aliada nas alas para envolver a linha adversária.
O plano abássida: concentrar as tropas do Khorasan em Samarcanda, subir pelo vale do Zarafshan, segurar o centro no choque e ganhar tempo enquanto os contatos com os chefes turcos amadureciam.
A decisão que mudou a conta: os chefes carluques aceitaram a oferta abássida durante os dias de impasse e viraram as armas contra a linha que integravam, no ponto exato onde ela não tinha reserva para tapar o vão.
O primeiro passo foi a tomada de Chach. A coluna chinesa ocupou a cidade, depôs o governante local e confiscou o tesouro, o que resolveu a disputa a favor do Ferghana e criou um herdeiro disposto a atravessar o deserto atrás de qualquer patrono alternativo.
O segundo foi a marcha para oeste. Gao Xianzhi partiu de Kucha e cobriu perto de mil quilômetros até o Talas, atravessando passos de montanha com comboio de suprimento, o que consumiu semanas e esticou a linha de abastecimento até o limite.
O terceiro foi a resposta de Samarcanda. Abu Muslim autorizou Ziyad ibn Salih a subir com a força do Khorasan, que percorreu uma distância bem menor e chegou ao vale ainda descansada e perto dos próprios depósitos.
O quarto foi o impasse. Durante quatro dias as duas linhas se testaram sem romper, com trocas de flecha, escaramuça de cavalaria e nenhuma vantagem consolidada em qualquer ponto da frente.
O quinto foi a negociação paralela. Enquanto as linhas se enfrentavam, emissários abássidas trataram com os chefes carluques, oferecendo participação no controle das pastagens e das rotas comerciais que a vitória chinesa entregaria a outro patrono.
O sexto foi a virada. No quinto dia, os cavaleiros carluques atacaram a retaguarda chinesa, ocupando o espaço entre a infantaria de linha e o comboio, e desligaram o comando das próprias tropas.
O sétimo foi o cerco pelos dois lados. A infantaria Tang, pressionada de frente pela cavalaria abássida e por trás pelos antigos aliados, perdeu a formação cerrada e passou a combater em grupos separados.
O oitavo foi a retirada pelo corredor. Os sobreviventes recuaram por um desfiladeiro estreito rumo ao leste, com o comboio abandonado no vale, e Gao Xianzhi só conseguiu atravessar porque um oficial abriu caminho empurrando para o lado as carroças que entupiam a passagem.
Da coluna que partira de Kucha, uma parte pequena voltou às guarnições de Anxi. O protetorado perdeu a capacidade de projetar força a oeste do Tian Shan, e nenhuma expedição chinesa voltou a cruzar aquela linha nos séculos seguintes.
Quatro anos depois, a rebelião de An Lushan obrigou o império a puxar as guarnições da fronteira ocidental para defender as próprias capitais. A Transoxiana ficou definitivamente na órbita do mundo islâmico, e as cidades-oásis passaram a negociar com Bagdá.
Entre os prisioneiros levados para oeste estava Du Huan, que passou anos viajando pelo califado e escreveu o "Jingxingji" ao voltar. Com os cativos foram também artesãos que dominavam a fabricação de papel, ofício que se instalou em Samarcanda e de lá seguiu para Bagdá e para o Mediterrâneo.
Aliado alugado não muda de lado por traição: ele muda quando o cálculo que o trouxe passa a apontar para a outra ponta do campo, e quem contratou não tem instrumento nenhum para mudar esse cálculo de volta.
"Qual parte da sua operação depende hoje de alguém que refaz a conta todo mês e pode ir embora no meio?"
Nenhum exército chinês voltou a atravessar o Pamir.
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