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O plano republicano: parar de avançar em coluna, ocupar as elevações em torno do vale, bater o arraial com artilharia de posição fixa e sustentar a tropa por uma linha de abastecimento própria, saindo de Monte Santo.
O plano do arraial: evitar o combate de frente, atacar os comboios e as escoltas na caatinga, e prolongar a resistência dentro das ruas estreitas, onde o número e a artilharia do adversário perdiam efeito.
A decisão que mudou a conta: tratar a estrada como objetivo militar. Enquanto as três primeiras expedições trataram o caminho como um estorvo entre a partida e o combate, a quarta passou a defendê-lo com a mesma seriedade com que batia o arraial.
O primeiro passo foi escolher a base. Monte Santo, a cerca de cem quilômetros do vale, tinha água, praça para depósito e ligação com a ferrovia que vinha do litoral, e virou o ponto de acumulação de munição, farinha e gado da campanha inteira.
O segundo foi entrar por dois eixos. Uma coluna desceu pelo caminho já conhecido e outra fez rota mais ao sul, de modo que uma emboscada bem montada não pegasse a força inteira no mesmo desfiladeiro.
O terceiro foi ocupar a serra ao norte do arraial. Do alto dessas elevações, a artilharia alcançava o vale sem precisar entrar nas ruas, e a infantaria passava a defender posição preparada em vez de avançar por terreno escolhido pelo adversário.
O quarto foi instalar peças de sítio. Além dos canhões de campanha, o Exército levou artilharia de calibre grande, montada em posição fixa e apontada para o centro do povoado, com a igreja nova como ponto de referência do tiro.
O quinto foi escoltar cada comboio. Os carros de suprimento passaram a andar com tropa dos dois lados e paradas fortificadas ao longo do trajeto, o que reduziu o efeito dos ataques rápidos que haviam derrubado as expedições anteriores.
O sexto foi aceitar a lentidão. O cerco se fechou em julho e a resistência se estendeu por semanas, com avanço rua a rua, casa a casa, sem nenhuma ordem de assalto geral que repetisse a tentativa de março.
O sétimo foi fechar o perímetro por completo em setembro, cortando o acesso ao rio e às roças, o que transferiu para dentro do arraial o mesmo problema de abastecimento que havia derrubado as três colunas na caatinga.
Uma operação que trata o caminho como objetivo, e não como percurso, muda o que o adversário consegue fazer com o terreno que ele conhece melhor.
"O que no seu projeto atual é tratado como percurso, e deveria ser tratado como objetivo?"
Belo Monte saiu do mapa em outubro.
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