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O carro do estandarte em Legnano

Em 1176, a infantaria de Milão fechou a linha em volta do carroccio e segurou a cavalaria de Barbarossa.

Infantaria de Milão em volta do carroccio em Legnano, 1176

Legnano, norte da Itália, 29 de maio de 1176

▼
 

Uma em duas. Era a chance da infantaria de Milão na tarde de 29 de maio de 1176, quando a cavalaria da própria Liga passou fugindo por ela: ou a linha em volta do carroccio segurava, ou a cidade perdia o estandarte e a guerra no mesmo dia.

O carroccio (o carro do estandarte da cidade) era uma carroça grande, puxada por bois, com um altar, uma cruz alta e as bandeiras de Milão. Ali se rezava missa antes da luta. Perder o carro era perder a honra da comuna inteira.

Ninguém conseguia fugir com ele. Boi não corre como cavalo. Então o carro ficava no centro, e os homens a pé ficavam em volta, sem outro lugar para onde ir.

Do outro lado vinha Frederico Barbarossa, imperador germânico, com os cavaleiros pesados que tinham acabado de descer os Alpes. Eram homens de cota de malha (armadura de anéis de ferro), lança comprida e cavalo treinado para a carga.

A vanguarda da Liga, um grupo pequeno de cavaleiros, tinha esbarrado neles perto de Borsano e levado a pior. Os sobreviventes correram para o sul, rumo a Milão, e passaram pelo carroccio sem parar.

Ficou a infantaria. Homens dos bairros de Milão, artesãos e camponeses, com escudos, lanças e alguns arqueiros, em fileiras fundas.

A cavalaria imperial carregou. A primeira fila cedeu, e a segunda segurou. Os cronistas milaneses contam que os homens recuaram até o carro e ali pararam, encostados nas rodas.

Cada carga encontrava outra vez a parede de escudos e pontas de lança. Cavalo não avança contra uma floresta de ferro firme: refuga, gira, derruba o cavaleiro.

A tarde passou assim. Longe da vista, a cavalaria de Bréscia e os outros cavaleiros que tinham fugido paravam, juntavam as fileiras e davam meia-volta.

Voltaram pelo flanco do exército imperial, que estava de costas para eles, ocupado com a parede de Milão.

No choque, o porta-estandarte de Barbarossa caiu. O imperador foi derrubado do cavalo e sumiu na confusão. O exército dele o deu por morto e debandou rumo ao rio Ticino.

Aqui embaixo, o caminho que levou Milão a Legnano com um carro de bois, quem lutou dos dois lados e o plano de esperar parado.

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I  A batalha de hoje

Um carro de bois no meio do campo

A resposta de ontem

Qual general de Fu Jian o prendeu em 385?

Foi Yao Chang, general de origem qiang que Fu Jian tinha poupado e promovido. Em 385 ele capturou o imperador perto de Chang'an e mandou estrangulá-lo no templo budista de Xinping, segundo o Livro de Jin. Yao Chang fundou o Qin Posterior, um dos reinos que dividiram o norte depois do rio Fei.

A batalha de Legnano opôs o imperador Frederico I Barbarossa, senhor do Sacro Império Romano-Germânico, à Liga Lombarda, a aliança das cidades do norte da Itália que recusavam imposto e governador imperial. O campo ficava entre Legnano e Busto Garolfo, a uns 30 quilômetros a noroeste de Milão.

Em Legnano, gente a pé de uma cidade segurou a melhor cavalaria da Europa e mandou o imperador para casa sem a vitória.

A ficha do confronto:

Data:29 de maio de 1176
Local:Legnano, Lombardia
Liga Lombarda:Milão, Bréscia e aliadas
Império:Frederico I Barbarossa
Arma do dia:o carroccio
Desfecho:vitória da Liga

A briga vinha de longe. Barbarossa desceu à Itália pela primeira vez em 1154, decidido a cobrar das cidades lombardas os direitos que os imperadores tinham perdido: pedágios, moeda, nomeação de juízes.

Milão resistiu ao imperador. Em 1162, depois de quase um ano de cerco, a cidade se rendeu. Barbarossa mandou expulsar os moradores e derrubar as muralhas e grande parte das casas.

Cinco anos depois, as cidades se juntaram. Em 1167 nasceu a Liga Lombarda, e os aliados ajudaram os milaneses a reerguer os muros.

Em 1168, a Liga fundou uma cidade nova no Piemonte e a batizou de Alessandria, em homenagem ao papa Alexandre III, inimigo de Barbarossa. O imperador a cercou no inverno de 1174 e passou seis meses diante das muralhas sem tomá-la.

Em 1176, ele estava em Pavia, cidade aliada, com poucas tropas. Pediu reforço ao primo Henrique, o Leão, duque da Saxônia e da Baviera. Henrique recusou o pedido.

Chegaram outros reforços. Um contingente de cavaleiros alemães atravessou os Alpes e desceu até Como, levado pelos arcebispos de Colônia e de Magdeburgo.

Barbarossa saiu de Pavia para buscá-los. Juntou as forças em Como e marchou de volta para o sul, querendo chegar a Pavia sem passar perto de Milão.

A Liga soube da marcha. Os milaneses saíram com o carroccio e se postaram no caminho, perto de Legnano, com cavaleiros de Bréscia, Piacenza, Verona, Novara e Vercelli.

O carroccio de Milão tinha sido criado por volta de 1039 pelo arcebispo Ariberto de Intimiano, para dar aos homens a pé um centro em volta do qual lutar.

A vitória deixou nas mãos da Liga o escudo, o estandarte, a cruz e a lança do imperador, além do cofre de guerra. Os cônsules de Milão listaram o saque numa carta aos aliados de Bolonha, poucos dias depois da batalha.

 
 

II  Quem estava em campo

O imperador, o primo e os cavaleiros de Bréscia

Em Legnano, um imperador sem o reforço que pediu enfrentou cidades que tinham aprendido a lutar juntas.

O imperador

Frederico I nasceu por volta de 1122, na casa dos Hohenstaufen, da Suábia. Os italianos o chamavam Barbarossa (barba ruiva) pela cor da barba. Foi eleito rei dos germânicos em 1152 e coroado imperador em Roma em 1155.

Gastou a vida tentando segurar a Itália e desceu os Alpes seis vezes com exército. Em Legnano tinha uns 54 anos e duas décadas de guerra contra as mesmas cidades.

O primo que não veio

Henrique, o Leão, era o príncipe mais rico da Alemanha. No encontro de Chiavenna, no início de 1176, Barbarossa pediu tropas, e a tradição conta que o imperador chegou a se ajoelhar. Henrique quis em troca a cidade de Goslar e as minas de prata dela, e o acordo não saiu.

Barbarossa não esqueceu. Em 1180, tirou de Henrique os dois ducados e o mandou para o exílio.

Os arcebispos

Filipe de Heinsberg, arcebispo de Colônia, e Wichmann, arcebispo de Magdeburgo, trouxeram a tropa que desceu os Alpes. Os cronistas não concordam sobre quantos cavaleiros eram, e nenhuma cifra das fontes é segura.

A Liga

A Liga Lombarda era governada por reitores, um ou dois por cidade, que decidiam a guerra em conjunto. Milão dava o grosso da infantaria. As cidades menores mandavam cavalaria.

Os milaneses lutavam por bairro: cada porta da cidade formava a sua companhia, com vizinhos ao lado de vizinhos. Quem fugia da linha fugia diante da própria rua.

A Companhia da Morte

Cronistas posteriores falam de uma Companhia da Morte, 900 jovens que juraram guardar o carroccio até cair. Galvano Fiamma, frade milanês do século XIV, deu a eles um chefe, Alberto da Giussano.

Nenhuma fonte de 1176 cita Alberto. Historiadores o tratam como lenda, escrita quase 150 anos depois da batalha. Mesmo assim, a estátua dele está em Legnano desde 1900.

Os cavaleiros que voltaram

A cavalaria de Bréscia era a maior entre as aliadas. Na fuga inicial, ela não se desfez de todo: os comandantes pararam os homens, juntaram os de outras cidades e os trouxeram de volta.

As fontes não guardaram quem deu a ordem de voltar. Guardaram só o resultado: o golpe no flanco imperial.

A imperatriz

Beatriz da Borgonha, a mulher de Barbarossa, esperava em Pavia. Com a notícia de que o marido tinha caído, vestiu luto. Ele apareceu na cidade três dias depois, com poucos homens, depois de cruzar o campo escondido.

 

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III  O plano

Esperar com as lanças no chão

O plano da Liga: ficar parada em volta do carroccio e cansar a cavalaria imperial até os cavaleiros aliados voltarem.

O plano do imperador: romper a infantaria com cargas seguidas e seguir para Pavia com o caminho limpo.

A aposta de Milão: trocar a fuga possível por uma parede que só funcionava se ninguém saísse dela.

A cavalaria pesada do século XII vencia pela carga. Um bloco de cavaleiros de armadura, joelho com joelho, batia na linha inimiga e a abria. Depois era só perseguir.

A infantaria raramente esperava essa carga. Quem via o bloco chegando corria antes do choque, e a corrida fazia o trabalho da lança.

Em Legnano, o carroccio tirava dos milaneses a opção de correr. O carro pesado não saía do lugar, e deixar o carro era entregar a cruz e as bandeiras da cidade ao inimigo.

A manobra tinha quatro passos:

1. Pôr o carroccio no centro, com as companhias dos bairros em fileiras fechadas à volta.

2. Firmar as lanças com o cabo no chão, a ponta inclinada na altura do peito do cavalo.

3. Segurar as cargas sem perseguir, para a linha nunca abrir um buraco.

4. Dar tempo à cavalaria aliada para voltar e bater no flanco.

O terceiro passo era o mais difícil. Depois de rechaçar uma carga, a vontade era correr atrás dos cavaleiros que recuavam. Quem corria saía da parede e virava presa.

Barbarossa apostou no que sempre funcionava. Achou que a infantaria cederia na segunda ou terceira carga, como cedia em quase todo campo da Europa.

O imperador também errou na conta do tempo. Gastou a tarde contra o carro e não deixou reserva vigiando a retaguarda. Quando os cavaleiros de Bréscia voltaram, ninguém os viu chegar.

Depois da derrota, Barbarossa mudou de política. Em 1177, em Veneza, reconheceu Alexandre III como papa legítimo e assinou uma trégua de seis anos com a Liga.

Em 1183, na Paz de Constança, as cidades ganharam o direito de eleger os próprios cônsules, cunhar moeda e erguer muralhas. Em troca, juravam fidelidade e pagavam ao império. Era o que Barbarossa vinha negando desde 1154.

Ele assinou.

 
 
Quiz da edição

Qual grupo lombardo fugiu no início da batalha de Legnano, mas depois parou, se reorganizou e atacou pelo flanco o exército imperial?

AA infantaria de Milão
BA Companhia da Morte
CA cavalaria de Bréscia
DOs arcebispos de Colônia e Magdeburgo

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