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O atalho dos pastores em Las Navas de Tolosa
Em 1212, 3 reis cristãos largaram o desfiladeiro guardado pelos almóadas e subiram a serra por uma trilha que o califa não vigiava.
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A descida da Mesa del Rey, Las Navas, 1212
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Uma passagem em duas. Foi a parte da Serra Morena, no sul da Península Ibérica, que o exército almóada deixou sem guarda em julho de 1212. Para o cavaleiro cristão que descia do norte, a conta mudava tudo: pela passagem vigiada, entraria em fila num corredor de pedra com arqueiros nas encostas; pela outra, ninguém esperava por ele.
Do lado cristão vinham 3 reis: Alfonso VIII de Castela, Pedro II de Aragão e Sancho VII de Navarra. Do outro, o califa almóada Muhammad al-Nasir, senhor do Marrocos e do sul muçulmano da península, a quem os cronistas cristãos chamavam de Miramamolín (deformação de amir al-muminin, comandante dos crentes, em árabe).
O caminho natural para o sul era o desfiladeiro do Muradal, uma garganta estreita da serra. Al-Nasir mandou ocupar o alto com tropas e montou o acampamento na saída, do lado andaluz, onde o exército inimigo teria de desembocar aos poucos, coluna atrás de coluna.
Os cristãos chegaram ao topo em 13 de julho e viram a armadilha. Recuar e procurar outra rota custaria dias, e a tropa já estava curta de comida e de água.
Segundo o arcebispo de Toledo, Rodrigo Jiménez de Rada, que marchava com o exército, um homem simples que conhecia a serra apareceu no acampamento e se ofereceu para guiar a tropa por uma trilha usada por pastores, mais a oeste.
Os reis mandaram 2 nobres conferir o caminho. Voltaram dizendo que dava passagem a um exército inteiro, com cavalos e bagagem.
Em 14 de julho, a vanguarda seguiu o guia e saiu num planalto largo, depois batizado de Mesa del Rey (Mesa do Rei). Lá embaixo, à vista, estavam as tendas do califa.
Al-Nasir formou o exército na planície e ofereceu batalha. Os reis cristãos não desceram: passaram o dia 15 descansando os cavalos, confessando a tropa e montando as linhas.
Abaixo, o que se decidiu naquele planalto, quem eram os 4 soberanos que lutaram ali e como uma cerca de defensores em volta da tenda do califa virou o último obstáculo da manhã.
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I A batalha de hoje
Três coroas contra um califa
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A Batalha de Las Navas de Tolosa foi travada em 16 de julho de 1212, ao pé da Serra Morena, perto da atual cidade de Santa Elena, na província de Jaén, na Espanha. Opôs uma aliança dos reinos cristãos de Castela, Aragão e Navarra ao exército do Califado Almóada, que governava o Marrocos e o Al-Andalus, o sul muçulmano da península.
Las Navas foi a maior derrota almóada na Península Ibérica e abriu aos reis cristãos o caminho para o vale do Guadalquivir.
A ficha do confronto:
| Data: | 16 de julho de 1212 | | Local: | planície de Las Navas de Tolosa, perto de Santa Elena, província de Jaén, na Espanha | | Comando cristão: | Alfonso VIII de Castela, Pedro II de Aragão e Sancho VII de Navarra | | Comando almóada: | califa Muhammad al-Nasir | | Efetivos: | incertos; as crônicas cristãs e árabes dão cifras enormes, que os historiadores consideram exageradas | | Fontes: | De rebus Hispaniae (Sobre os feitos da Hispânia), de Rodrigo Jiménez de Rada, de 1243; carta de Alfonso VIII ao papa Inocêncio III, de 1212 |
A briga tinha uma ferida aberta. Em 1195, em Alarcos, o califa Abu Yusuf Yaqub al-Mansur, pai de al-Nasir, esmagou o exército de Alfonso VIII, e o rei castelhano escapou do campo por pouco.
Depois de anos de trégua, Alfonso voltou a atacar terras muçulmanas. Em 1211, al-Nasir cruzou o estreito de Gibraltar com um exército grande e cercou Salvatierra, castelo da Ordem de Calatrava, uma ordem militar de monges cavaleiros. O castelo caiu em setembro, depois de quase 2 meses de cerco.
Alfonso pediu ajuda ao papa Inocêncio III, que tratou a campanha seguinte como cruzada e prometeu perdão dos pecados a quem lutasse.
Em junho de 1212, o exército se reuniu em Toledo. Além dos castelhanos e aragoneses, vieram milhares de cavaleiros de além dos Pireneus, sobretudo do sul da França, chamados nas crônicas de ultramontanos (os de além das montanhas).
A marcha para o sul tomou Malagón e, em 1º de julho, Calatrava. Alfonso aceitou a rendição da guarnição muçulmana de Calatrava e deixou os defensores saírem vivos.
Os ultramontanos queriam saque e sangue, sofriam com o calor e não aceitaram o acordo. Quase todos voltaram para casa. Ficou o arcebispo de Narbona, Arnaldo Amalric, com um pequeno grupo.
Mesmo desfalcado, o exército seguiu. Sancho VII alcançou a tropa no caminho com os navarros, e em 12 de julho a coluna chegou ao pé da serra.
A batalha durou a manhã de 16 de julho. Terminou com o acampamento almóada tomado e o califa em fuga para Jaén.
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II Quem estava em campo
Quatro soberanos e um guia sem nome
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Quatro soberanos comandaram Las Navas em pessoa: um rei que voltava ao campo depois de perder tudo, dois aliados desconfiados e um califa que nunca tinha visto os cristãos de perto.
Alfonso VIII nasceu em 1155 e herdou Castela aos 3 anos. Passou a infância com o reino disputado por famílias nobres e só governou de fato a partir de 1170, quando também se casou com Leonor da Inglaterra, filha do rei Henrique II.
O rei que carregava Alarcos
Alarcos pesou sobre Alfonso por 17 anos. Em Las Navas, tinha 56 anos e sabia que uma segunda derrota podia custar o reino.
O arcebispo Jiménez de Rada, que cavalgava perto dele, registrou o que o rei disse quando viu as próprias linhas recuarem: "Arcebispo, morramos aqui, eu e vós." (Rodrigo Jiménez de Rada, De rebus Hispaniae, 1243.)
Os dois aliados
Pedro II de Aragão, de 34 anos, era chamado de o Católico: tinha ido a Roma em 1204 para ser coroado pelo próprio papa. Trouxe cavaleiros de Aragão e da Catalunha.
Sancho VII de Navarra, chamado de o Forte, era famoso pela altura e estava brigado com Castela. Em 1200, Alfonso tinha tomado dele as terras de Álava e Guipúscoa. Mesmo assim, veio, com uma tropa pequena.
O califa
Muhammad al-Nasir, filho de al-Mansur, governava desde 1199. Tinha passado os primeiros anos do reinado sufocando revoltas no norte da África e tomou Maiorca em 1203.
Nos dias antes da batalha, mandou executar Yusuf ibn Qadis, o comandante que tinha entregado Calatrava aos cristãos. Ibn Qadis era andaluz, e os soldados andaluzes do exército do califa viram na execução uma ofensa ao seu povo.
O guia
Jiménez de Rada descreve o guia como um homem de aparência humilde e não diz o nome dele. Alguns cristãos acharam que era um enviado do céu.
A tradição local o chama de Martín Alhaja, um pastor da região. O nome só aparece em relatos muito posteriores, e nenhuma fonte da época confirma quem ele era nem o que ganhou pelo serviço.
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