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O plano boliviano: segurar o fortim com metralhadoras enterradas até o socorro chegar.
O plano paraguaio: fechar o mato em volta e deixar a guarnição sem água, comida e munição.
A decisão que virou o jogo: Estigarribia trocou o assalto de frente pela trincheira.
O fortim de Boquerón ficava numa clareira cercada de mato espinhoso. Quem atacava pela clareira ficava exposto. Quem estava no mato via pouco, mas também era pouco visto.
Os bolivianos tinham montado a defesa para a clareira. As metralhadoras miravam o capim aberto, por onde qualquer ataque normal teria de vir.
Estigarribia leu essa regra e jogou outro jogo. Os paraguaios deixaram o capim em paz, ficaram no mato e cavaram.
O cerco funcionou em três tempos:
1. Os batalhões abriram picadas no mato, longe do alcance das metralhadoras, contornando a clareira pelos dois lados.
2. As picadas viraram trincheiras, ligadas entre si, até formar um anel completo em volta do fortim.
3. Patrulhas paraguaias ocuparam os caminhos de fora e bloquearam cada coluna boliviana de socorro antes que chegasse perto.
Com o anel fechado, o tempo passou a lutar do lado paraguaio. Os sitiados não tinham para onde ir, e cada dia gastava a água que restava.
A aviação boliviana tentou suprir o forte pelo ar. Os aviões da época carregavam pouco, e a clareira era pequena. Parte das cargas caiu no mato paraguaio.
Os paraguaios também sofriam com a sede. Mas tinham caminhões rodando entre a retaguarda e as trincheiras, e a água chegava em tambores.
A ferrovia que descia de Puerto Casado, no rio Paraguai, levava homens e água até perto da frente. Do lado boliviano, a base mais próxima ficava muito mais longe, e as estradas de terra viravam areia funda no calor.
O fortim era um bom lugar para defender e um lugar ruim para esperar. Quem tinha os poços de fora, tinha o relógio.
No cerco, o paraguaio cavava de dia e dormia na trincheira. O boliviano, preso na clareira, não tinha sombra nem lugar para recuar. Cada noite, alguns tentavam escapar pelo mato e acabavam presos nas picadas paraguaias.
A queda de Boquerón abriu o Chaco para o avanço paraguaio. Nos meses seguintes, os bolivianos recuaram fortim por fortim até a linha de Saavedra.
Os paraguaios tinham perdido mais homens que os bolivianos durante o cerco, quase todos nos assaltos dos primeiros dias.
O fortim nunca mais voltou à Bolívia.
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