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Em Toba Fushimi, um estandarte fez de 15 mil soldados rebeldes

Ao sul de Kyoto, 5 mil homens de Satsuma e Choshu ergueram a bandeira do imperador, e o exército do xogum perdeu os aliados em três dias.

Tropas de Satsuma sob o estandarte imperial, Toba, 1868

Toba e Fushimi, Japão, janeiro de 1868

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Um em cada quatro. Era a parte dos soldados ao sul de Kyoto, em janeiro de 1868, que marchava por Satsuma e Choshu: uns 5 mil homens contra uns 15 mil do exército do xogum (o chefe militar que governava o Japão em nome do imperador).

Para quem estava na linha de Satsuma, a conta tinha um sentido prático. Se o inimigo rompesse as duas estradas para Kyoto, chegaria ao palácio do imperador, de 15 anos, e os dois domínios virariam traidores do trono.

As duas estradas corriam pela planície de arroz entre Osaka e Kyoto. Uma passava pela aldeia de Toba, a outra pela cidade de Fushimi, onde ficava o porto de barcos do rio.

Na tarde de 27 de janeiro, a coluna do xogunato chegou à ponte de Koeda, em Toba, e pediu passagem. Dizia levar uma carta ao palácio. Os oficiais de Satsuma mandaram esperar.

A coluna esperou horas, em formação de marcha, com os fuzis descarregados. Ao cair da tarde, decidiu seguir em frente.

A artilharia de Satsuma abriu fogo contra a estrada cheia de gente. Em Fushimi, ouvindo os tiros, Choshu e Satsuma atacaram a guarnição do xogum, e um incêndio tomou a cidade durante a noite.

Os dois primeiros dias ficaram empatados no barro dos arrozais. O exército do xogum tinha mais homens, mas lutava em fila nas estradas estreitas, e a vantagem de três para um não chegava inteira à frente.

No segundo dia, apareceu na linha de Satsuma um pano vermelho com o sol e a lua bordados em ouro: o nishiki no mihata (o estandarte de brocado da corte imperial). Quem marchava sob ele lutava pelo imperador. Quem atirava contra ele virava rebelde.

Aqui embaixo, por que o xogum mandou um exército contra Kyoto, quem estava em cada estrada e como um pedaço de seda tirou dele dois aliados em três dias.

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I  A batalha de hoje

Quatro dias ao sul de Kyoto

A Batalha de Toba Fushimi opôs os domínios de Satsuma e Choshu, em nome do imperador Meiji, ao exército do xogunato Tokugawa, de Tokugawa Yoshinobu. Foi travada de 27 a 30 de janeiro de 1868, ao sul de Kyoto, e terminou com a retirada do xogunato para Osaka.

Em Toba Fushimi, a batalha não se decidiu pelo fuzil nem pelo canhão: decidiu-se quando os aliados do xogum deixaram de reconhecer o exército dele como legítimo.

A ficha da batalha:

Data:27 a 30 de janeiro de 1868
Local:Toba e Fushimi, Japão
Imperiais:Satsuma e Choshu
Xogunato:Tokugawa Yoshinobu
Força imperial:cerca de 5 mil
Força do xogunato:cerca de 15 mil
Desfecho:vitória imperial

Os Tokugawa governavam o Japão desde 1603. O imperador vivia em Kyoto, cercado de cerimônia e sem poder de fato, e o xogum mandava de Edo, a atual Tóquio.

Em 1853, os navios do comodoro americano Matthew Perry entraram na baía de Edo e forçaram a abertura dos portos. O xogunato assinou tratados com as potências estrangeiras sem a aprovação da corte, e o país rachou.

Nos anos seguintes, samurais de vários domínios adotaram o lema sonnō jōi (reverenciar o imperador, expulsar os bárbaros). Em 1863, Choshu bombardeou navios estrangeiros no estreito de Shimonoseki, e Satsuma trocou tiros com a frota inglesa diante de Kagoshima.

Os dois domínios apanharam das esquadras europeias. As derrotas convenceram os dois a copiar as armas de quem os tinha batido.

Satsuma, no sul de Kyushu, e Choshu, no oeste de Honshu, eram dois han (domínios feudais, cada um com exército próprio). Os dois tinham perdido em 1600, na Batalha de Sekigahara, para o primeiro Tokugawa, e nunca tinham esquecido.

Em 1866, os dois inimigos de longa data assinaram uma aliança secreta contra o xogunato. Compraram fuzis ingleses e treinaram as tropas no estilo europeu.

Em novembro de 1867, Yoshinobu devolveu formalmente o poder político ao imperador, esperando continuar no comando de fato como o maior senhor de terras do país.

Em 3 de janeiro de 1868, Satsuma e os aliados ocuparam os portões do palácio de Kyoto. A corte declarou a restauração do governo imperial e mandou Yoshinobu entregar as terras.

Yoshinobu recuou para o castelo de Osaka. Em Edo, agentes de Satsuma provocavam incêndios e assaltos, e os homens do xogunato queimaram a residência de Satsuma na cidade.

De Osaka, o xogum mandou o exército subir para Kyoto com uma carta contra Satsuma. As duas estradas do sul eram o caminho.

 
 

II  Quem estava em campo

Os homens de cada estrada

Nenhum dos dois comandantes supremos pisou no campo: o xogum ficou no castelo de Osaka, e o imperador, no palácio de Kyoto.

O xogum

Tokugawa Yoshinobu nasceu em 1837 e virou xogum em 1867, o 15º e último da família. Tinha reformado o exército com instrutores franceses e era tido como o Tokugawa mais capaz em décadas.

Durante a batalha, ficou em Osaka. Tinha cerca de 15 mil homens: unidades treinadas pelos franceses, samurais de domínios aliados e as tropas de Aizu e Kuwana, as mais fiéis a ele.

Matsudaira Katamori, senhor de Aizu, tinha sido o protetor militar de Kyoto até 1867. Em 1864, as tropas dele expulsaram Choshu da capital a tiros, e Choshu nunca perdoou.

O imperador

O imperador Meiji tinha 15 anos e havia subido ao trono em 1867. Não comandou nada no campo. O nome dele, e a bandeira da corte, foram as armas mais pesadas dos dois domínios.

Os homens de Satsuma

Saigō Takamori, um samurai de baixa patente que tinha subido no domínio, coordenava as tropas de Satsuma. Ōkubo Toshimichi, amigo de infância dele, cuidava da política em Kyoto.

Saigō tinha 40 anos. Em 1864, ele próprio tinha comandado tropas de Satsuma em Kyoto ao lado de Aizu, contra Choshu. Quatro anos depois, marchava com Choshu contra Aizu.

As tropas de Satsuma e Choshu eram menores, mas usavam fuzis de retrocarga e canhões ingleses. Na estrada de Toba, a artilharia de Satsuma ficou posicionada perto da ponte de Koeda.

O nobre da corte

Iwakura Tomomi, nobre da corte imperial, preparou com Ōkubo os estandartes de brocado semanas antes da batalha. Os panos foram costurados em segredo, a partir de desenhos de bandeiras antigas descritos em textos da corte.

Em 28 de janeiro, a corte nomeou o príncipe Ninnajinomiya Yoshiaki comandante-geral das tropas imperiais. Ele levou o estandarte até a frente.

Os aliados que mudaram

O domínio de Yodo, dono do castelo no caminho de retirada para Osaka, era governado por Inaba Masakuni. Ele era rōjū (um dos conselheiros sêniores do xogum).

O domínio de Tsu, da família Tōdō, guardava com artilharia a passagem de Yamazaki, perto de Hashimoto, na margem do rio Yodo. Os Tōdō eram aliados dos Tokugawa desde 1600.

 

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III  O plano

Seda vermelha na ponta de um mastro

O plano do xogunato: subir as duas estradas com a força maior, forçar a passagem e entregar a carta ao palácio.

O plano de Satsuma e Choshu: segurar as estradas com fogo concentrado e transformar o choque numa guerra contra o trono.

A aposta do xogunato: os aliados ficariam com quem tinha mais homens.

O plano imperial seguiu três passos:

1. Abrir fogo na ponte de Koeda, antes de a coluna inimiga se pôr em linha de combate.

2. Erguer o estandarte de brocado no segundo dia e declarar o exército do xogum inimigo da corte.

3. Esperar os domínios vizinhos escolherem o lado do imperador.

O primeiro passo funcionou. A coluna de Toba recuou desordenada na primeira noite, e Fushimi ardeu até de manhã.

Nas ruas de Fushimi lutou o Shinsengumi (a polícia de espadachins do xogunato em Kyoto). Os homens dele atacavam de espada em punho contra posições armadas de fuzil e perderam boa parte da tropa nos combates entre as casas em chamas.

O segundo passo também deu certo. Quando o estandarte apareceu, o exército do xogunato virou chōteki (inimigo da corte imperial) no papel. Os soldados continuavam os mesmos, as armas também, mas cada tiro deles passava a ser disparado contra o imperador.

Em 29 de janeiro, as tropas do xogunato recuaram até Yodo, contando com o castelo para se reagrupar. Inaba Masakuni estava em Edo. Os homens dele fecharam o portão e não deixaram ninguém entrar.

Em 30 de janeiro, o xogunato montou nova linha em Hashimoto, apoiada nos canhões de Tsu na outra margem do rio. Os artilheiros de Tsu viraram as peças e dispararam contra o flanco do exército do xogum.

A linha de Hashimoto rompeu, e o exército voltou para Osaka.

Na noite de 31 de janeiro, Yoshinobu saiu escondido do castelo de Osaka com Matsudaira Katamori, de Aizu, e alguns conselheiros. Embarcou no navio de guerra Kaiyō Maru e voltou a Edo, deixando o exército para trás.

A batalha abriu a Guerra Boshin, que durou até junho de 1869, quando os últimos fiéis ao xogunato se renderam em Hakodate, no norte.

Edo foi entregue sem combate em maio de 1868, num acordo entre Saigō e Katsu Kaishū, o negociador do xogunato.

O estandarte de brocado da tarde de 28 de janeiro não sobreviveu. Do pano original, nada se sabe com certeza: os que existem hoje são reconstruções.

Yoshinobu se recolheu em Shizuoka e nunca mais governou. Viveu até 1913.

 
 
Quiz da edição

No segundo dia da Batalha de Toba Fushimi, qual desenho apareceu bordado em ouro no estandarte vermelho erguido pela linha de Satsuma?

ACrisântemo e espada
BSol e lua
CDragão e fênix
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