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O plano mapuche: seguir a coluna, esperar o acampamento descuidado e atacar no escuro.
O plano espanhol: cruzar Purén rápido, contar com a fama da cavalaria e chegar a Angol sem combate.
A aposta mapuche: cansados, os espanhóis iam dormir sem guarda.
O plano de Pelantaro seguiu três passos:
1. Seguir a escolta de longe desde La Imperial, sem ser visto.
2. Cercar o acampamento de Curalaba durante a noite, por vários lados.
3. Atacar na última hora escura, antes de os espanhóis montarem.
O primeiro passo dependia do terreno. Purén era mata, banhado e colina, e os mapuches conheciam cada trilha. Uma coluna de 50 cavaleiros com bagagem não passava despercebida.
O segundo passo dependia do erro espanhol. Óñez de Loyola, segundo os cronistas, armou acampamento sem fosso, sem paliçada e com poucas sentinelas. Os cavalos pastavam soltos, longe dos donos.
O terceiro passo usou a arma mais antiga da Araucanía, a surpresa, e a mais nova, o cavalo. Em meio século de guerra, os mapuches aprenderam a criar e montar cavalos, e a cavalaria deles já igualava a espanhola no terreno do sul.
O arcabuz precisava de mecha acesa e de tempo para carregar. Num combate corpo a corpo no escuro, valia pouco. As lanças mapuches, longas, alcançavam o homem antes da espada.
A armadura também pesou contra os espanhóis. Os homens tinham tirado as peças para dormir no calor de dezembro, e vestir um peitoral de aço no escuro, sob ataque, levava minutos que ninguém teve.
Os cavaleiros mapuches passaram primeiro pelo pasto e espantaram a tropa de cavalos. Sem montaria, a escolta perdeu a única vantagem que ainda tinha no campo aberto e lutou a pé, em grupos pequenos, perto das barracas.
O ataque terminou com o dia claro. Os mapuches recolheram armas, cavalos, roupas e os dois cativos, e voltaram para as colinas de Purén sem esperar o socorro de Angol.
Óñez de Loyola lutou e caiu com a escolta. Os cronistas contam que a cabeça dele foi cortada e levada para Purén.
A resposta espanhola veio devagar. Em 1601, o novo governador, Alonso de Ribera, montou uma linha de fortes na margem norte do Biobío.
A Coroa criou o Real Situado, uma verba anual paga com a prata do Peru para sustentar um exército permanente no Chile. A guerra saiu das mãos dos colonos e foi para soldados pagos.
Em 1641, no Parlamento de Quilín (uma reunião formal de paz entre governadores e lonkos), a Espanha reconheceu o Biobío como fronteira.
A Araucanía só foi ocupada pelo Estado chileno entre 1861 e 1883, na campanha chamada Pacificação da Araucanía.
O Biobío seguiu fronteira.
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