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O plano britânico: atravessar a linha inimiga em dois pontos, cortar o centro e a retaguarda do resto da frota e resolver a batalha em duelos próximos, onde o treino de artilharia e a experiência de mar pesavam mais do que o número de peças.
O plano aliado: manter a linha de batalha formada, aproveitar o peso de artilharia e a proximidade de Cádis, e devolver bordada por bordada até que o adversário desistisse do ataque.
A decisão que mudou a conta: aceitar levar tiro sem responder. Nelson trocou quarenta minutos de vulnerabilidade total por um contato em condições que a linha paralela nunca oferecia.
O primeiro passo foi escrever o ataque antes de ver o inimigo. Nelson distribuiu aos capitães um memorando com o esquema de avanço em colunas semanas antes do contato, e o documento dizia em texto que nenhum capitão erra muito se puser o seu navio ao lado de um navio inimigo.
O segundo foi dividir a frota em duas colunas de ataque. Uma delas, a de sotavento, sob Collingwood, apontava para a retaguarda inimiga; a outra, sob Nelson, apontava para o centro, e a terceira força prevista no memorando foi absorvida pelas duas porque faltaram navios.
O terceiro foi escolher o ponto de corte pela popa. A popa de uma nau de linha é a parte mais frágil do casco, com janelas em vez de madeira grossa, e um navio que passa rente a ela dispara toda a bordada para dentro do inimigo, de popa a proa, sem encontrar resistência.
O quarto foi aceitar a aproximação lenta. O vento fraco daquela manhã deixou as colunas a menos de três nós, o que multiplicou o tempo exposto ao fogo inimigo, e nenhuma ordem foi dada para adiar o contato até vento melhor.
O quinto foi isolar a vanguarda pelo desenho do ataque. Cortando o centro, os oito navios da frente ficaram com o combate pela popa e com o vento contra, e precisaram de manobra demorada para voltar, tempo que a batalha não devolveu.
O sexto foi o corte propriamente dito. A Royal Sovereign passou pela popa do Santa Ana pouco antes do meio-dia e a Victory pela popa do Bucentaure cerca de uma hora depois, cada uma com uma bordada de enfiada que tirou dezenas de peças inimigas de serviço numa passagem só.
O sétimo foi a virada tardia de Dumanoir. A vanguarda só conseguiu voltar por volta das três da tarde, encontrou o centro já rendido, trocou tiros de passagem com os navios britânicos que ainda tinham mastro e seguiu para o sul com quatro naus, capturadas duas semanas depois ao largo do cabo Ortegal.
Um ataque que aceita perder tempo debaixo de fogo compra em troca o tipo de contato em que o número de peças do adversário deixa de contar.
"Que dano você aceitaria levar sem revidar para pegar o adversário no lugar em que ele é frágil?"
Dumanoir passou ao largo.
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