In partnership with

Batalha do Dia   Batalha do Dia
ED 057
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

As carroças acorrentadas de Chaldiran

Em 1514, o xá Ismail deixou os otomanos terminarem a linha de canhões antes de atacar, e a cavalaria persa bateu numa muralha de ferro.

Linha otomana de carroças acorrentadas e canhões diante da cavalaria persa em Chaldiran, 1514

Carroças e canhões otomanos, Chaldiran, 1514

▼
 

Uma ala em duas. Foi o saldo da cavalaria safávida na tarde de 23 de agosto de 1514, na planície de Chaldiran, no noroeste do atual Irã. Para o cavaleiro persa, a conta dependia só do lado em que montava: quem carregou pela direita encontrou homens a cavalo; quem carregou pela esquerda encontrou canhões presos uns aos outros por correntes.

De um lado estava o xá Ismail I, de 27 anos, fundador da dinastia safávida, que governava a Pérsia desde os 14. Do outro, o sultão otomano Selim I, de 44, que tinha atravessado a Anatólia inteira com o exército para encontrá-lo.

Os otomanos chegaram à planície cansados, depois de meses de marcha por terras que os persas tinham queimado de propósito. Precisavam de horas para armar a defesa que traziam na bagagem.

A defesa era o tabur (fortaleza de carroças, em turco): uma fileira de carroças de carga encostadas e amarradas com correntes de ferro, com os canhões nos vãos e os janízaros, a infantaria de elite do sultão, atrás delas com arcabuzes, as espingardas de mecha da época.

Dois comandantes de Ismail viram a linha sendo montada e pediram para atacar logo, enquanto as carroças ainda se moviam e os canhões ainda estavam sobre as rodas de transporte.

Ismail recusou e, segundo os cronistas persas, disse que não era ladrão de caravana para cair sobre um inimigo que ainda não estava pronto.

A cavalaria persa esperou parada enquanto, do outro lado, os otomanos terminavam o serviço: a corrente passou de carroça em carroça, e cada canhão foi firmado no chão, apontado para a planície.

Quando os qizilbash, os guerreiros de gorro vermelho que serviam ao xá, enfim avançaram, a ala esquerda deles galopou direto contra o trecho da linha onde estava a artilharia. Os relatos otomanos contam que os cavalos persas se espantaram com o estrondo e derrubaram os próprios cavaleiros.

Abaixo, como a planície virou campo de tiro, quem eram os dois soberanos que lutaram ali em pessoa e quanto a cortesia de Ismail custou a ele, a começar por Tabriz, a capital.

Continue lendo ↓

 
 

I  A batalha de hoje

Uma planície transformada em campo de tiro

A Batalha de Chaldiran foi travada em 23 de agosto de 1514, numa planície alta entre o lago Urmia e a atual fronteira da Turquia. Opôs o exército do Império Otomano, sob o sultão Selim I, ao exército do Império Safávida da Pérsia, sob o xá Ismail I.

Chaldiran foi a primeira derrota de Ismail em campo, e a primeira grande batalha em que a pólvora decidiu uma guerra entre otomanos e persas.

A ficha do confronto:

Data:23 de agosto de 1514
Local:planície de Chaldiran, província do Azerbaijão Ocidental, no atual Irã
Comando otomano:sultão Selim I
Comando safávida:xá Ismail I
Efetivos:incertos; as crônicas dos dois lados divergem, e todas concordam que os otomanos tinham mais homens, além de canhões e arcabuzes que os persas não levaram
Fontes:crônicas otomanas da corte de Selim; Ahsan al-tawarikh (A Melhor das Histórias), de Hasan Beg Rumlu, de 1577

A briga era antiga e tinha duas camadas. Os otomanos eram muçulmanos sunitas; Ismail tinha feito do islã xiita a religião oficial da Pérsia logo depois de tomar o trono, em 1501.

A segunda camada morava dentro do território otomano. Boa parte das tribos turcomanas do leste da Anatólia, a península que hoje forma a maior parte da Turquia, seguia Ismail como líder religioso e não como estrangeiro.

Em 1511, uma revolta dessas tribos, liderada por um pregador chamado Şahkulu, chegou perto de Bursa, a antiga capital otomana. Selim tirou o próprio pai, Bayezid II, do trono em 1512 e passou a tratar os simpatizantes do xá como inimigos internos.

Na primavera de 1514, saiu de Edirne com o exército rumo ao leste. Os persas recuaram sem lutar, queimando pasto e colheitas pelo caminho, para deixar o inimigo sem comida.

Selim provocou Ismail com cartas cheias de insulto. A resposta veio numa caixa de ouro com ópio, o recado de que só um viciado escreveria daquele jeito, segundo a coleção de correspondência do sultanato reunida pelo chanceler Feridun Bey em 1575.

Os janízaros estavam perto de se amotinar pela fome quando os batedores enfim acharam o exército persa acampado em Chaldiran.

A luta começou pela manhã e durou até o meio da tarde. A ala direita persa, com Ismail à frente, rompeu a ala esquerda otomana; a ala esquerda persa foi destruída pela artilharia. Ferido, o xá deixou o campo, e o exército dele se desfez em fuga.

 
 

II  Quem estava em campo

O xá que nunca tinha perdido

Dois soberanos comandaram Chaldiran em pessoa: um rei-profeta que nunca tinha perdido uma batalha e um sultão que já tinha derrubado o próprio pai para governar.

Ismail nasceu em 1487, em Ardabil, herdeiro da Safaviyya, uma ordem sufi (corrente mística do islã) cujos seguidores acreditavam que o líder carregava algo de divino.

O rei de 14 anos

Ismail ficou órfão de pai ainda menino e passou anos escondido em Lahijan, perto do mar Cáspio, protegido pelos devotos da ordem. Em 1501, com 14 anos, entrou em Tabriz à frente dos qizilbash e se coroou xá.

Em dez anos, ganhou todas as campanhas que comandou e juntou o planalto iraniano inteiro sob um só governo. Escrevia poemas em turco azeri sob o pseudônimo Khata'i, e neles se apresentava como a encarnação de Ali, o primo e genro do profeta Maomé.

Para os qizilbash, o xá não perdia porque não podia perder. A recusa de atacar a linha em construção vinha dessa fé, que ele mesmo alimentava.

O sultão que chamavam de Severo

Selim I nasceu em 1470, em Amasya, filho do sultão Bayezid II. Os turcos o apelidaram de Yavuz, que se traduz por "o Severo" ou "o Implacável".

Chegou ao trono em 1512 com o apoio dos janízaros, contra a vontade do pai e dos irmãos. Ao contrário de Ismail, confiava menos na cavalaria e mais no que os engenheiros e artilheiros do império sabiam fazer.

Antes de marchar, mandou registrar e punir os simpatizantes do xá nas províncias do leste, para não deixar inimigos na retaguarda enquanto o exército estivesse longe.

Os dois conselheiros

O primeiro a pedir o ataque imediato foi Muhammad Khan Ustajlu, governador safávida de Diyarbakir, na fronteira, que conhecia a tática otomana de perto. Nur Ali Khalifa, outro chefe qizilbash, apoiou o pedido.

Durmish Khan Shamlu, favorito do xá, defendeu esperar, e Ismail ficou com o conselho dele.

O cronista Hasan Beg Rumlu registrou a resposta do xá: "Não sou ladrão de caravana; o que Deus decretar, acontecerá." (Hasan Beg Rumlu, Ahsan al-tawarikh, 1577.)

Ustajlu recebeu o comando da ala esquerda persa, justamente a que foi lançada contra os canhões. Caiu nos primeiros choques, junto com boa parte dos homens dele.

 

Quem banca a edição de hoje

Free Workshop: Turn a Tiny Audience Into $10k/month

We’ve driven over $10M in revenue for our newsletter clients and are unpacking the plug-and-play system thousands of people are using to turn a small email list into $2k-$10k/month.

(…without needing to quit your job, without needing to get on camera, and without needing prior experience).

We’ll show you how to start a newsletter in <30 minutes, scale to 1,000 readers, and make your first $10,000 in revenue.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O plano

A cortesia paga em pólvora

O plano otomano: acorrentar as carroças numa linha fixa, esconder os canhões e os janízaros atrás dela e deixar a cavalaria persa vir até o fogo.

O plano safávida: atacar os dois flancos com cavalaria pesada, contornar a linha de carroças e cair sobre a retaguarda, como os qizilbash tinham feito em toda vitória anterior.

A decisão que mudou a conta: Ismail recusou o ataque cedo e deu aos otomanos as horas que faltavam para fechar a linha.

O primeiro passo foi a carga da direita. Ismail em pessoa atacou a ala esquerda otomana, formada pelos cavaleiros da Rumélia, a parte europeia do império. Hasan Paxá, o governador da Rumélia, caiu no choque, e a ala recuou.

O segundo passo foi a carga da esquerda. Ustajlu atacou a ala direita otomana, onde a corrente de carroças protegia os canhões, e a cavalaria persa entrou no alcance do fogo.

O terceiro passo foi o giro do centro. Com a esquerda persa destruída, os canhões otomanos foram girados contra o grupo que Ismail comandava, e os janízaros saíram de trás das carroças atirando.

O quarto passo foi a fuga. Ismail foi ferido e quase capturado. A tradição persa conta que um oficial gritou que ele próprio era o xá e foi preso no lugar dele, mas as crônicas não guardaram com segurança o nome desse homem.

Chaldiran foi perdida antes do primeiro tiro: a linha que destruiu a cavalaria persa só existia porque o xá esperou ela ficar pronta.

O acampamento safávida caiu nas mãos dos otomanos com o tesouro e parte do harém real. Uma das esposas do xá foi levada para Istambul.

Selim não perseguiu os fugitivos por muito tempo. O exército dele estava exausto, e a cavalaria persa, mais leve, corria mais que qualquer tropa otomana a pé.

Em 5 de setembro de 1514, Selim entrou em Tabriz sem combate. Ficou poucos dias: os janízaros se recusaram a passar o inverno no planalto, e o sultão levou o exército de volta para a Anatólia.

A conquista que ficou foi o leste da Anatólia. Nos dois anos seguintes, os otomanos tomaram Diyarbakir e a região curda, e as tribos que seguiam o xá perderam a ligação por terra com a Pérsia.

A fronteira desenhada a partir dali foi fixada no Tratado de Zuhab, em 1639, e corre até hoje quase no mesmo traçado entre a Turquia e o Irã.

Ismail viveu mais dez anos e morreu em 1524, aos 36. Os cronistas persas contam que ele se afastou da guerra e das tropas depois de Chaldiran.

"Quanto vale ser justo com um inimigo que nunca pretendeu ser justo com você?"

Ismail nunca mais comandou uma carga.

 
 
O Narrador da Mesa. Oito movimentos, um por dia, no ebook e no app. Quero o ebook + app.

Quero o ebook + app →

 
Quiz da edição

Quando dois comandantes pediram pra atacar logo, enquanto os otomanos ainda montavam a linha de carroças, o que o xá Ismail respondeu?

AQue esperava os canhões otomanos ficarem sem pólvora
BQue não era ladrão de caravana para cair sobre um inimigo despreparado
CQue a cavalaria persa precisava descansar antes do choque
DQue aguardava reforços de Tabriz chegarem ao campo

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🏹🏹🏹🏹🏹  ótima 🏹🏹🏹🏹  boa 🏹🏹🏹  ok 🏹🏹  ruim 🏹  péssima
 
Escolha uma das próximas edições

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai nos próximos dias.

Voto aberto até 04/10, 15h30

A Batalha do Ebro →
B Batalha de Tsushima →
C Gate Pa →
D Valmy →
 
 

Quem banca a edição de hoje

The AI newsletter curated by engineers who build it

TLDR AI is a free daily email curated by Anthropic and ex-Google engineers: the new tools worth trying and the research worth understanding, summarized for 1.1M+ readers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Ciência Bizarra

Ciência Bizarra

Todo dia, 20:20. Um fenômeno verificado que desafia o senso comum, com a fonte na mesa. Espanto com paper, não com clique.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook O Narrador da Mesa
ebook O Narrador da Mesa

Pegar meu link de indicação →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
 
 

Cessar-fogo até amanhã.

Batalha do Dia

BATALHA DO DIA

Uma batalha por dia

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter