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As 50 fileiras de Epaminondas em Leuctra
Em 371 a.C., Tebas empilhou a ala esquerda com 50 homens de fundo e lançou o peso todo contra o ponto onde lutava o rei de Esparta.
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A ala tebana contra o rei, Leuctra, 371 a.C.
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Quatro votos em 7. Era o que Epaminondas precisava no conselho dos beotarcas (os 7 generais eleitos da liga das cidades da Beócia) para dar combate em Leuctra, em julho de 371 a.C., e ele ganhou por um voto. Com mais um contra, o exército tebano voltaria para trás das muralhas e esperaria o cerco. A contagem vem de Pausânias, viajante grego que escreveu a Descrição da Grécia no século II.
Do outro lado da planície estava o exército de Esparta, a cidade que vencia batalhas campais havia gerações. Os espartanos passavam a vida no treino militar, e os gregos tratavam a falange deles (a formação cerrada de lanceiros com escudo) como a melhor do mundo grego.
O rei Cleômbroto I tinha entrado na Beócia por um caminho de montanha pouco vigiado, pelo sul, tomado o porto de Creusis e acampado numa elevação sobre a planície de Leuctra, a meio dia de marcha de Tebas.
Os tebanos tinham menos gente. Diodoro Sículo, historiador grego do século I a.C., fala em 6 mil beócios. Plutarco, na Vida de Pelópidas, escrita no século II, dá aos espartanos e aliados 10 mil soldados a pé e mil a cavalo.
Pela lógica da época, o lado menor perdia. As duas falanges se chocavam de frente, cada uma com a ala direita, a de honra, empurrando a esquerda inimiga, e quem tinha mais escudos aguentava mais tempo.
Epaminondas leu a planície de outro jeito. Se o golpe caísse onde estava o comandante inimigo, o resto do exército espartano ficava sem cabeça antes de entrar na luta.
Os soldados também precisavam de ânimo. Xenofonte conta que correu entre os tebanos a notícia de que os templos da cidade tinham se aberto sozinhos e que as armas do santuário de Héracles tinham sumido, sinal de que os deuses lutariam com eles. O mesmo Xenofonte registra que havia quem dissesse que tudo era armação dos comandantes.
Abaixo, a batalha em ficha, os homens que a decidiram e o desenho que deixou Esparta sem rei antes do anoitecer.
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I A batalha de hoje
A manhã em que Esparta perdeu o campo
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A Batalha de Leuctra foi travada em julho de 371 a.C., numa planície da Beócia, região da Grécia central, perto da aldeia de Leuctra e a sudoeste de Tebas. Opôs o exército da Liga Beócia, comandado por Tebas, ao exército de Esparta e de seus aliados do Peloponeso. Plutarco data o combate no quinto dia do mês ateniense de Hecatombeon, o que cai no começo de julho.
Leuctra foi a primeira derrota de um exército espartano completo, com rei à frente, numa batalha campal contra um número menor de inimigos.
A ficha do confronto:
| Data: | julho de 371 a.C. | | Local: | planície de Leuctra, na Beócia, Grécia central | | Comando beócio: | Epaminondas, com Pelópidas à frente do Batalhão Sagrado | | Comando espartano: | rei Cleômbroto I | | Efetivos: | 6 mil beócios, segundo Diodoro Sículo; 11 mil espartanos e aliados, segundo Plutarco | | Fontes: | Helênicas, de Xenofonte, escritas em meados do século IV a.C.; Biblioteca Histórica, de Diodoro Sículo, século I a.C.; Vida de Pelópidas, de Plutarco, século II |
A briga começou numa mesa de paz. Em junho de 371 a.C., as cidades gregas se reuniram em Esparta para assinar um tratado geral. Epaminondas, enviado de Tebas, quis assinar em nome de toda a Beócia.
Agesilau II, o outro rei de Esparta, exigiu que cada cidade beócia assinasse por si, o que desmontaria a liga que Tebas comandava. Epaminondas recusou, e Agesilau riscou o nome de Tebas do tratado.
Cleômbroto estava na Fócida, região vizinha à Beócia, com um exército pronto. Recebeu ordem de marchar contra Tebas. Plutarco conta que a batalha aconteceu 20 dias depois da assinatura da paz.
Os tebanos esperavam o inimigo na passagem principal, perto de Coroneia. Cleômbroto contornou a guarda por uma trilha de montanha, desceu à costa e tomou Creusis com 12 navios tebanos que estavam ancorados lá.
Dali, subiu para a planície de Leuctra. Os beócios correram para fechar o caminho de Tebas e acamparam numa colina do lado oposto. Entre os dois exércitos ficou um terreno aberto, plano, bom para cavalaria e para falange.
O combate foi curto. Terminou com a ala direita espartana destroçada, o rei ferido de morte e o resto do exército recolhido ao acampamento, quase sem ter lutado.
No dia seguinte, os espartanos pediram trégua para recolher os mortos. Pelos costumes gregos, quem pedia os corpos admitia a derrota.
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II Quem estava em campo
Um general sem vitórias e um rei sob suspeita
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Três homens decidiram Leuctra: um general tebano que nunca tinha comandado uma vitória grande, o chefe de uma tropa de elite e um rei espartano que temia mais a própria cidade do que o inimigo.
Epaminondas, filho de Polímnis, vinha de família nobre e pobre de Tebas. A data de nascimento dele é incerta, e as fontes antigas não a registram. Estudou com Lísis de Tarento, filósofo pitagórico (seguidor das ideias de Pitágoras) exilado em Tebas, e tinha fama de falar pouco.
O estrategista
Antes de 371 a.C., Epaminondas não tinha nenhuma grande vitória no currículo. Era conhecido como orador e como o enviado que enfrentou Agesilau na conferência de paz. Leuctra foi o primeiro grande comando dele.
Em 385 a.C., numa batalha em Mantineia em que Tebas lutava como aliada de Esparta, Epaminondas tinha protegido com o escudo um companheiro ferido. Plutarco conta o episódio. O companheiro era Pelópidas.
O chefe da tropa de elite
Pelópidas comandava o Batalhão Sagrado (hieros lochos, em grego), uma tropa de 300 hoplitas (soldados de infantaria pesada) que Tebas mantinha em armas o ano inteiro, pagos pela cidade. Plutarco diz que eram 150 pares de amantes, escolhidos para que nenhum fugisse diante do outro.
Em 379 a.C., Pelópidas tinha liderado o grupo de exilados que voltou disfarçado a Tebas, eliminou os chefes da facção ligada a Esparta e expulsou a guarnição espartana da cidadela.
O rei sob suspeita
Cleômbroto I reinava desde 380 a.C. Esparta tinha 2 reis ao mesmo tempo, de duas famílias, e ele era da família dos Ágidas. Em campanhas anteriores contra a Beócia, tinha voltado sem lutar, e em casa o acusavam de ser brando com Tebas.
Xenofonte registra o que os amigos lhe disseram antes da batalha: “Cleômbroto, se deixares os tebanos partir sem combate, correrás o risco de sofrer da cidade a pena extrema.” (Xenofonte, Helênicas, livro 6, escrito em meados do século IV a.C.)
O mesmo Xenofonte conta que o conselho de guerra espartano se reuniu depois do almoço, e que se dizia que o vinho tinha deixado os comandantes animados demais.
Os espartíatas
No exército de Cleômbroto havia 700 espartíatas (cidadãos plenos de Esparta, criados no treino militar desde os 7 anos), segundo Xenofonte. Cerca de 400 deles ficaram no campo, e Esparta tinha poucos para repor: o número de cidadãos plenos encolhia havia décadas.
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