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Em Castillon, um conde perto dos 70 anos, preso a um juramento, atacou o homem que tinha trocado a muralha pelo canhão.
O conde
John Talbot nasceu por volta de 1387, em Shropshire, e passou quatro décadas lutando na França. Os franceses o temiam pelo ataque rápido e o apelidaram de Aquiles inglês. Ganhou o título de conde de Shrewsbury em 1442.
Conheceu a derrota cedo. Foi capturado em Patay, em 1429, no ano em que Joana d'Arc levantou o cerco de Orléans, e só voltou ao campo depois de quatro anos de cativeiro.
O juramento
Em 1449, quando Rouen se rendeu aos franceses, Talbot ficou como refém da rendição. Solto em 1450, jurou a Carlos VII nunca mais vestir armadura contra o rei da França.
Em Castillon, ele cumpriu a letra do juramento e quebrou o espírito dele. Comandou o ataque sem armadura, a cavalo, à vista dos canhões.
O filho
John Talbot, visconde de Lisle, filho do segundo casamento do conde, lutava ao lado do pai. Os cronistas contam que o pai mandou o rapaz fugir quando o ataque desandou, e ele ficou. Caiu no mesmo campo que o pai.
O tesoureiro
Jean Bureau não vinha de família de cavaleiros. Era um burguês de Paris, homem das finanças, que Carlos VII fez tesoureiro da França e mestre da artilharia.
Com Gaspard, transformou o canhão de máquina de cerco em arma de campo. Na Normandia, as baterias dos irmãos derrubaram muralhas em dias, onde um cerco antes levava meses.
Bureau tratava a pólvora como tratava as contas do reino: comprava salitre com antecedência, pagava artilheiros o ano inteiro e mantinha carroças só para levar os canos.
Os capitães
O comando francês em Castillon não tinha um chefe único. Bureau cuidava dos canhões e do campo, e capitães como Jacques de Chabannes, grão-mestre da casa do rei, comandavam os homens de armas.
Os bretões
Um corpo de cavaleiros bretões, mandados pelo duque da Bretanha, aliado de Carlos VII, esperava fora do muro, numa elevação ao norte do campo.
O arqueiro
O cavalo de Talbot foi atingido por um tiro de canhão e caiu por cima dele. Um arqueiro francês, chamado Michel Perunin pela tradição, acabou com ele a golpes de machado.
O corpo só foi reconhecido depois, pelo arauto do conde, que o identificou por um dente que faltava na boca.
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