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A ordem de Lee enrolada em 3 charutos
Em 1862, dois soldados acharam num campo de Maryland o plano confederado inteiro, e McClellan marchou para Antietam sabendo onde Lee estava.
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Arredores de Frederick, Maryland, 1862
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Uma em cinco. Era a chance do general George B. McClellan acertar, por palpite, qual estrada de Maryland levava ao pedaço certo do exército confederado em setembro de 1862. Robert E. Lee tinha repartido suas tropas em cinco colunas, e ninguém do lado da União sabia para onde cada uma tinha ido.
Na manhã de 13 de setembro, a conta mudou. O 27º Regimento de Infantaria de Indiana parou para descansar num campo perto de Frederick, uma cidade do oeste de Maryland. O terreno tinha sido acampamento confederado poucos dias antes.
O cabo Barton W. Mitchell sentou na grama e viu um envelope largado. Dentro havia três charutos, enrolados numa folha de papel escrita à mão. Ele chamou o primeiro-sargento John M. Bloss.
Os dois leram o cabeçalho: Quartel-General, Exército da Virgínia do Norte, Ordem Especial nº 191. A folha dizia qual general ia para onde, por qual estrada e em que dia.
A assinatura era de Robert H. Chilton, o ajudante-geral (o oficial que redigia e distribuía as ordens do comandante) de Lee. Pela data, 9 de setembro, o papel tinha só quatro dias.
Mitchell e Bloss levaram a folha ao capitão da companhia, que a passou ao coronel do regimento. De mão em mão, subiu até o quartel-general de McClellan, a poucos quilômetros dali.
Lá, um oficial do estado-maior, Samuel Pittman, reconheceu a letra de Chilton. Os dois tinham servido juntos no Exército dos Estados Unidos antes da guerra. A ordem era verdadeira.
Até aquela manhã, McClellan avançava às cegas e acreditava enfrentar um inimigo muito maior do que o real. Agora tinha na mesa o mapa do movimento de Lee, com as divisões separadas por rios e montanhas.
Os charutos, conta a tradição do regimento, foram fumados pelos soldados que acharam a folha. Ninguém sabe quem os deixou cair.
O papel pedia pressa. Abaixo, o que a União fez com ele e o dia de combate em que tudo desaguou.
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I A batalha de hoje
O dia mais longo em Sharpsburg
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A Batalha de Antietam foi travada em 17 de setembro de 1862, perto da vila de Sharpsburg, em Maryland, às margens do riacho Antietam. Opôs o Exército do Potomac, de George B. McClellan, ao Exército da Virgínia do Norte, de Robert E. Lee. Começou com o dia clareando e terminou no escuro.
Antietam é o dia de combate mais sangrento da história dos Estados Unidos: o Serviço Nacional de Parques americano calcula cerca de 23 mil baixas (mortos, feridos, capturados e desaparecidos) em doze horas.
A ficha do confronto:
| Data: | 17 de setembro de 1862 | | Local: | riacho Antietam, junto a Sharpsburg, Maryland | | Comando da União: | major-general George B. McClellan | | Comando confederado: | general Robert E. Lee | | Efetivos: | cerca de 87 mil soldados da União contra cerca de 38 mil confederados, segundo o Serviço Nacional de Parques | | Fontes: | Stephen W. Sears, Landscape Turned Red (1983); James M. McPherson, Crossroads of Freedom (2002) |
O combate andou do norte para o sul, em três fases. A primeira, de madrugada, foi num milharal da fazenda de David R. Miller. A linha de frente trocou de dono várias vezes até o meio da manhã.
O general Joseph Hooker, que comandava o ataque da União ali, escreveu depois que os pés de milho tinham sido cortados rente ao chão pelas balas, como se alguém tivesse passado uma foice.
A segunda fase foi no centro, numa estrada de terra afundada pelo uso das carroças. Os confederados a usaram como trincheira pronta. Depois de horas, as tropas da União tomaram a estrada pelo flanco, e ela ganhou o nome de Bloody Lane (Estrada Sangrenta).
A terceira fase foi ao sul, numa ponte de pedra de três arcos sobre o riacho. O general Ambrose Burnside gastou a manhã inteira tentando atravessá-la contra poucas centenas de atiradores da Geórgia, postados no barranco.
Quando Burnside enfim cruzou e empurrou a direita confederada até a beira de Sharpsburg, chegou a divisão de A. P. Hill. Ela vinha de Harpers Ferry, a 27 quilômetros, e bateu no flanco da União no fim da tarde.
McClellan guardou dois corpos de exército inteiros na reserva e não os usou. Lee ficou no campo durante o dia 18 e atravessou o rio Potomac de volta à Virgínia na noite seguinte, sem ser perseguido.
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II Quem estava em campo
Os dois homens do papel
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A Ordem Especial 191 passou por quatro mãos conhecidas: a do general que a mandou escrever, a do oficial que a redigiu e as dos dois soldados de Indiana que a acharam no chão.
Robert Edward Lee, nascido em 1807 na Virgínia, era o comandante do Exército da Virgínia do Norte desde junho de 1862. Tinha vencido a Segunda Batalha de Bull Run em agosto e cruzado o Potomac para levar a guerra ao território da União.
O general que dividiu o exército
A ordem 191 mandava Thomas "Stonewall" Jackson, com três colunas, cercar a guarnição da União em Harpers Ferry, um arsenal na junção dos rios Potomac e Shenandoah. O resto do exército seguia para Boonsboro e Hagerstown. Lee apostava que McClellan, lento de costume, daria a ele tempo para juntar tudo de novo.
O general que recebeu o plano
George Brinton McClellan, nascido em 1826 na Filadélfia, tinha organizado o Exército do Potomac em 1861. Os soldados o adoravam, e Lincoln se irritava com a demora dele em atacar.
Com a ordem na mão, McClellan disse ao general John Gibbon, segundo as memórias de Gibbon publicadas em 1928: "Aqui está um papel com o qual, se eu não conseguir bater Bobbie Lee, aceito voltar para casa."
Ao presidente, telegrafou ao meio-dia de 13 de setembro que tinha todos os planos dos rebeldes. Mesmo assim, só pôs a maior parte das tropas em marcha na manhã seguinte, cerca de dezoito horas depois de ler a ordem.
Os soldados que acharam a folha
Barton W. Mitchell era um fazendeiro de Indiana e cabo da Companhia F. Foi ferido gravemente na perna em Antietam, quatro dias depois do achado. Viveu até 1868 sem nenhum reconhecimento oficial pelo papel que tinha levantado da grama.
John M. Bloss, o sargento, também foi ferido em Antietam. Depois da guerra virou professor e reitor de escola em Indiana, e contou a história do achado em palestras até o fim da vida.
Quem perdeu a ordem continua sem resposta. A cópia achada era endereçada ao general Daniel Harvey Hill, que depois da guerra jurou ter recebido e guardado outra cópia, mandada por Jackson. Nenhum documento prova quem deixou cair o envelope com os charutos.
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