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O plano europeu: desembarcar na madrugada, queimar as casas da aldeia e assustar Lapulapu até a submissão, sem a ajuda dos guerreiros de Cebu.
O plano de Mactan: esperar na praia, deixar os invasores chegarem cansados pela água e atacar onde a armadura não cobria.
A decisão que mudou a conta: desembarcar na maré baixa, longe do alcance dos canhões.
O primeiro passo foi a recusa de ajuda. Humabon ofereceu cerca de 1.000 guerreiros. Magalhães disse que bastavam os espanhóis, e que os aliados ficassem olhando como os cristãos lutavam.
O segundo passo foi o aviso. Antes do ataque, Magalhães mandou um intérprete a Lapulapu: se aceitasse o rei da Espanha e pagasse tributo, seriam amigos; se não, veriam como as lanças europeias feriam.
Lapulapu respondeu que também tinha lanças, de bambu endurecido no fogo. E pediu que o ataque esperasse a luz do dia, porque assim teria mais homens. Pigafetta suspeitou de armadilha: os nativos teriam cavado buracos na praia durante a noite.
O terceiro passo foi a travessia. Os 49 desceram dos botes ainda escuro e andaram pelo coral com a água pelas coxas, carregando mosquetes e bestas que molhavam a cada tropeço.
O quarto passo foi o fogo. Os mosqueteiros e besteiros atiraram de longe por cerca de meia hora, e os escudos de madeira dos guerreiros seguraram as balas. Magalhães gritou para pararem, e ninguém ouviu.
O quinto passo foi o incêndio. O comandante mandou queimar umas 20 casas da aldeia. Os guerreiros viram as casas arderem e avançaram com mais fúria.
Os homens de Lapulapu perceberam que os corpos dos europeus estavam protegidos e as pernas não. Passaram a mirar abaixo dos joelhos.
“Vendo isto, os nativos atiravam apenas às nossas pernas, que estavam nuas.” A frase é de Pigafetta, na “Relazione del primo viaggio intorno al mondo”, por volta de 1524.
Uma flecha envenenada atravessou a perna direita de Magalhães. Ele mandou recuar devagar, mas a maioria correu para os botes, e ficaram com ele 7 ou 8 homens.
Um guerreiro feriu o comandante no rosto com uma lança de bambu. Ele tentou sacar a espada e só a tirou até a metade, porque tinha o braço ferido. Um golpe de catana (espada larga e curva) na perna esquerda o derrubou de bruços na água.
Pigafetta escreveu que Magalhães se virou várias vezes para ver se os homens já estavam nos botes. Depois os guerreiros caíram sobre ele.
“Quantos tiros de besta separam um navio de uma praia?”
Os botes ficaram no recife.
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