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O plano inglês: ocupar a crista de Senlac antes do amanhecer, fechar a parede de escudos de encosta a encosta, receber os ataques sem sair da posição e entregar o campo intacto ao anoitecer.
O plano normando: desgastar a linha com arqueiros, pressionar com infantaria, abrir espaço com cavalaria e, faltando brecha, produzir uma.
A decisão que mudou a conta: depois que a fuga bretã puxou parte dos ingleses para fora do alto e custou caro a eles, Guilherme mandou repetir o movimento de propósito, com esquadrões que corriam encosta abaixo e voltavam em ordem.
O primeiro passo foi a escolha do terreno pelos ingleses. Harold posicionou a linha no ponto mais estreito da crista, onde a frente cabia inteira na tropa disponível e os flancos ficavam guardados por encosta íngreme e terreno alagado.
O segundo foi o ataque em ondas. Os arqueiros normandos atiraram de baixo para cima, ângulo que joga a flecha contra a face do escudo, e a infantaria subiu contra machados que abriam elmo e cota.
O terceiro foi a quebra da ala esquerda. Os bretões cederam e correram, com o boato da morte do duque atrás deles, e a ala direita inglesa desceu em perseguição sem ordem para descer.
O quarto foi a reação pessoal de Guilherme. Ele descobriu a cabeça diante das próprias tropas para provar que estava vivo, remontou a cavalaria e cercou os perseguidores no terreno plano ao pé da elevação.
O quinto foi a leitura do episódio. O que começou como pânico tinha aberto na linha inglesa exatamente a falha que nenhum ataque frontal conseguira abrir em quatro horas de subida.
O sexto foi a repetição deliberada. Ao longo da tarde, esquadrões normandos avançaram, simularam colapso, desceram a encosta e se reformaram embaixo, arrastando a cada ciclo mais um pedaço da linha do alto para o plano.
O sétimo foi o efeito acumulado. A parede encurtou, os intervalos entre escudos aumentaram, e os cavaleiros passaram a encontrar vãos em vez de bordas fechadas.
O oitavo foi o ataque combinado do fim da tarde. Arqueiros voltaram a atirar em ângulo alto sobre a linha encurtada enquanto a cavalaria entrava pelos vãos, e a formação inglesa deixou de ser uma linha para virar grupos isolados no alto.
O nono foi a queda do comando. Harold morreu na crista com os irmãos Gyrth e Leofwine, e a tradição registrada pela Tapeçaria de Bayeux associa o fim dele a um ferimento no olho. Sem rei e sem linha, o fyrd se dispersou pelo bosque ao norte no escuro.
Guilherme foi coroado em Westminster no Natal de 1066. A aristocracia inglesa foi substituída por normandos em vinte anos, o levantamento fundiário do Domesday Book registrou a troca de donos em 1086, e o francês normando entrou na língua e no direito.
Uma formação que depende de todo mundo ficar parado não é vencida pelo ataque mais forte: ela é vencida por quem descobre o que faz um pedaço dela querer sair sozinho do lugar.
"Qual vantagem sua depende hoje de ninguém do seu time morder uma isca que parece vitória fácil?"
A parede de escudos nunca mais foi montada na Inglaterra.
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