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O plano japonês: romper para o golfo de Leyte e destruir a frota de invasão parada ali, com os transportes e os navios de desembarque, antes que a cobertura pesada americana voltasse.
O plano americano: não existia plano para o encontro. A escolta improvisou com o que tinha à mão: ganhar tempo e produzir, dentro da fumaça, os sinais de uma força que ela não era.
A ordem que mudou a geometria: fumaça de caldeira e fumaça química ao mesmo tempo, todos os torpedos do grupo contra a coluna e todo avião no ar, mesmo desarmado, sobre as pontes japonesas.
Vale medir o que a ordem custou. Ataque de torpedo com contratorpedeiro é entrar de proa no alcance útil do inimigo e ficar lá por minutos, sem poder responder de igual para igual.
A aposta se pagou na manobra, não no dano. Encouraçado que vê rastro guina para alinhar a proa com o torpedo, e a guinada joga fora a solução de tiro construída salva a salva nos vinte minutos anteriores.
O comando japonês somou o que enxergava: cortina numa frente larga, rastro de torpedo vindo de várias direções, avião chegando sem parar e tráfego de rádio americano em linguagem clara pedindo força pesada.
A soma saiu alta. O estado-maior estimou trinta nós em navios que faziam dezessete e meio, e velocidade de trinta nós, em 1944, só existia em porta-aviões de esquadra.
Kurita relatou depois ter combatido porta-aviões rápidos e cruzadores. Nenhum porta-aviões rápido e nenhum cruzador estavam ali.
A escolta não parou os encouraçados pelo poder de fogo. Parou porque encheu duas horas e meia com sinais que só uma frota grande produziria, e o outro lado comprou a conta.
A manobra depende de três condições: o inimigo depender do que enxerga, o defensor ter uma arma que obrigue manobra e não só algo que esconda, e o engano custar ao inimigo um tempo que ele não tem.
Faltando uma das três, a cortina vira adiamento. Sem torpedo, o encouraçado atravessa a fumaça no mesmo rumo. Com reconhecimento independente, a estimativa se corrige sozinha. Sem pressa, o inimigo espera a nuvem passar.
O resultado estratégico veio inteiro. Kurita virou a menos de oitenta quilômetros da entrada do golfo, os transportes em Leyte continuaram descarregando, e a frota japonesa nunca mais operou como força de superfície organizada.
Evans recebeu a mais alta condecoração americana em caráter póstumo, e a unidade ganhou citação presidencial. Kurita comandou a academia naval até o fim da guerra e passou o resto da vida dando respostas diferentes sobre a meia-volta.
Longe de qualquer mar, a régua continua servindo. O adversário não decide contra a sua força real, decide contra a força que ele consegue medir, e a medição dele é território disputável.
"Quanto da sua força o outro lado mede sozinho, e quanto você deixa ele medir?"
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