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O plano russo: obrigar o ataque sueco a se desfazer antes de encostar na linha principal, usando obras de terra baratas colocadas exatamente onde o inimigo era obrigado a passar, e só depois aceitar o combate em campo aberto com a vantagem numérica intacta.
O plano sueco: atravessar o corredor no escuro, aparecer ao amanhecer com infantaria e cavalaria já reunidas, assaltar o acampamento russo à baioneta e vencer antes que o tamanho do adversário virasse fator.
A decisão que mudou a conta: cavar. Pedro pôs sobre a rota de aproximação uma fileira de posições que ninguém podia ignorar e que ninguém precisava defender por muito tempo.
O primeiro passo foi escolher o corredor. Engenheiros russos mediram o vão entre os bosques de Budyshchi e de Yakovtsi e viram que qualquer aproximação ao acampamento passaria por aquele campo aberto.
O segundo foi a fileira atravessada. Seis fortins de terra foram cavados de bosque a bosque, separados por cerca de trezentos passos, distância suficiente para que o fogo de um alcançasse o vão do vizinho.
O terceiro foi a fileira em ângulo reto. Nos dias finais, Pedro mandou construir mais quatro posições saindo do centro da primeira fileira em direção ao inimigo, formando um T deitado sobre a rota de marcha sueca.
O quarto foi aceitar o inacabado. As duas posições da ponta ainda estavam sem parapeito completo na madrugada da batalha, e Pedro as guarneceu assim mesmo, porque o valor delas era fazer o sueco parar, não sobreviver.
O quinto foi a guarnição pequena. Cada fortim recebeu um batalhão e uma ou duas peças leves, gente suficiente para atrasar um assalto e barata o bastante para que a perda de uma posição não abrisse buraco na linha principal.
O sexto foi a divisão da coluna sueca. As duas posições inacabadas caíram rápido, a terceira segurou, e a força atacante se partiu ali entre quem contornou a fileira e quem continuou assaltando.
O sétimo foi o isolamento de Roos. Seis batalhões ficaram do lado errado da fileira, sem ordem e sem contato, atacando terra escavada enquanto a batalha principal se formava a mais de um quilômetro dali.
O oitavo foi a espera imposta ao resto. O grosso sueco chegou ao campo aberto incompleto e ficou parado esperando os batalhões que não vinham, tempo que Pedro usou para tirar o exército de dentro do acampamento e formar linha com a artilharia posicionada.
O nono foi o contato. A infantaria sueca avançou em frente estreita contra uma linha muito mais larga, recebeu fogo de artilharia à queima-roupa e depois salvas de mosquete, e foi envolvida pelos dois flancos pela cavalaria de Menshikov.
O décimo foi a rendição em Perevolochna. Carlos XII escapou para território otomano com poucas centenas de homens, e três dias depois, encurralado na confluência do Vorskla com o Dnieper, o restante do exército sueco depôs armas.
Uma obra de terra que ninguém precisa defender até o fim vale o custo quando ela é colocada no ponto exato em que o adversário não tem outro caminho.
"Onde você largaria um obstáculo barato para obrigar um concorrente a gastar tempo?"
Os seis batalhões nunca chegaram.
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