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O plano de Kara Mustafa: tomar a cidade por mina e brecha antes que o socorro se reunisse, mantendo todo o esforço voltado para a muralha.
O plano do exército de socorro: cruzar o Wienerwald pelo norte com artilharia leve, ocupar as alturas do Kahlenberg e descer sobre um acampamento fortificado na direção errada.
A decisão que mudou a conta: trocar poder de fogo por posição e aceitar uma batalha que precisava terminar antes do anoitecer.
O primeiro passo foi escolher o caminho. Em vez da estrada aberta ao sul do Danúbio, a coluna atravessou a mata de montanha a noroeste da cidade, terreno que ninguém considerava rota de exército.
O segundo foi deixar o trem de sítio para trás. Passaram a serra apenas peças leves, desmontadas e carregadas por homens e mulas nos trechos piores, sem uma única boca de fogo pesada.
O terceiro foi inverter a ordem de marcha. As tropas que desceriam primeiro atravessaram primeiro, para que a coluna chegasse ao alto já arrumada na ordem em que ia combater, sem precisar se reorganizar à vista do inimigo.
O quarto foi tomar a crista de noite. Nos dias 11 e 12 de setembro, os destacamentos de vanguarda ocuparam o topo e as capelas do Kahlenberg, de modo que o ataque começasse de terreno já dominado.
O quinto foi descer devagar. A infantaria pagou a manhã inteira em terraços de vinhedo, muros de pedra e aldeias, escolhendo custo em tempo em vez de custo em desordem.
O sexto foi guardar a cavalaria. As alas polonesas ficaram paradas no alto por horas, sem entrar na luta de terreno fechado, esperando que a encosta abrisse em campo onde uma carga pudesse ser feita em linha.
O sétimo foi a carga. No fim da tarde, com a planície à vista, cerca de dezoito mil cavaleiros desceram pelo flanco direito sobre o acampamento, contra tropas que estavam de costas para aquele lado.
O oitavo foi não deixar o cerco respirar. A guarnição saiu pelas portas ao mesmo tempo, prendendo os homens das trincheiras entre a muralha que eles atacavam e a encosta de onde vinha a descida.
O acampamento caiu inteiro antes do anoitecer, com tendas, provisões, animais, artilharia de sítio e a bagagem do comando. O exército otomano recuou para leste, na direção de Győr, deixando as obras do cerco prontas e vazias.
Viena não precisou de segundo dia de batalha, que era exatamente a condição imposta pela decisão de subir a serra sem canhão pesado. O que a coluna não tinha em munição, precisou cobrar em velocidade.
O que decidiu Viena não foi a diferença de tamanho entre os dois exércitos, e sim a direção para a qual as obras do cerco apontavam.
O detalhe que arruína a leitura fácil é que a mata protegia os dois lados. Ela escondeu a aproximação da coluna de socorro e também teria triturado essa mesma coluna, se a descida tivesse sido detectada com um dia de antecedência.
A régua serve fora da Áustria. Esforço concentrado numa frente só constrói, sem querer, uma segunda frente onde não há nada: quanto mais fundo alguém cava na direção do objetivo, mais desprotegido fica o lado que ele parou de olhar.
"O seu esforço está todo virado para a muralha, ou alguém pode descer pela encosta que você deixou de vigiar?"
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