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No Ebro, um exército comandado por ex-operários atacou um general que tinha feito a carreira inteira na guerra do Marrocos.
O comandante de 31 anos
Juan Modesto Guilloto comandava o Exército do Ebro, criado em maio de 1938 para a operação. Tinha 31 anos, trabalhara numa serraria em El Puerto de Santa María e aprendeu a guerra nas milícias comunistas de 1936.
Sob ele, três corpos de exército. O 5º, de Enrique Líster, ex-canteiro (pedreiro que talha pedra) da Galícia. O 15º, de Manuel Tagüeña, estudante de física com 25 anos. O 12º, de Etelvino Vega.
O homem do mapa
Vicente Rojo Lluch, chefe do Estado-Maior Central (o comando que planejava as operações de todo o exército), desenhou a travessia. Era militar de carreira, professor da academia de Toledo antes da guerra, católico e fiel à República.
Rojo já tinha planejado a defesa de Madri em 1936 e a ofensiva de Teruel em 1937. No Ebro, apostou na surpresa para compensar a falta de aviões e de artilharia.
O governo que precisava de tempo
Juan Negrín, chefe do governo republicano, queria resistir até a guerra estourar na Europa. Um conflito entre a Alemanha e as democracias, calculava, traria França e Grã-Bretanha para o lado da República.
Em 30 de setembro de 1938, o Acordo de Munique entregou a Hitler parte da Tchecoslováquia sem um tiro. A guerra europeia ficou adiada, e a aposta de Negrín perdeu a base em plena batalha.
Do outro lado
Franco acompanhou a resposta de perto, de um posto de observação nas colinas. O general Juan Yagüe, cujo Corpo de Exército Marroquino guardava a linha do rio, foi pego de surpresa na noite de 25 de julho.
Do céu, a Legião Condor (a força aérea enviada por Hitler) e a Aviação Legionária de Mussolini bombardeavam as pontes todos os dias.
Os voluntários
As Brigadas Internacionais (voluntários estrangeiros que lutavam pela República) cruzaram o Ebro com a 35ª Divisão. Em 21 de setembro, Negrín anunciou na Liga das Nações a retirada de todos eles.
Na despedida em Barcelona, Dolores Ibárruri, a dirigente comunista apelidada La Pasionaria (a Apaixonada), disse a eles: “Podéis marchar orgullosos. Sois la historia. Sois la leyenda” (Podem partir com orgulho. Vocês são a história. Vocês são a lenda), no discurso de despedida das Brigadas Internacionais, em 1938.
O que veio depois
Modesto e Líster deixaram a Espanha em 1939 e viveram exilados na União Soviética. Rojo foi para a Argentina e a Bolívia, voltou em 1957 e foi julgado e condenado por um tribunal militar franquista.
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